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Telefonema...



Aquele telefonema mudara tudo na minha vida, mas também me dera a possibilidade de deixar o passado para trás, de seguir, move on!

- Olá boa tarde, estou a falar com a Andreia?
- Sim, sou eu.
- A Andreia não me conhece, mas tenho algo para lhe dizer do Artur, nós somos amigos recentes e muito especiais.

Julgo que senti as minhas pernas tremerem, e um milhão de coisas correram rápido pelo meu cérebro, tentando em vão descortinar o que significaria tudo aquilo, mas nem para mim, mulher de mente tão fértil, seria jamais previsível o que ouvi na esplanada do café que frequento.

- Quer um copo de água, está muito pálida.
- Um homem que eu não conhecia, por sinal com um aspecto bem agradável, polido, percebia-se que era  culto e polido, acabara de me dizer que tinha uma relação amorosa com o meu ex-marido. Caramba!!
- Não esteja à procura dos sinais, não se martirize, as coisas nem sempre funcionam assim, e não significa que o Artur seja homosexual, poderá ser bisexual, e nada do que tiveram antes esteve em jogo.
- Parece conhecê-lo muito bem...
- Apenas após a vossa separação, e sim, acho que o conheço bem, e estou disposto a tê-lo comigo, ajudando-o a superar o que vem aí, eu sei que não vai ser fácil, mas conto com a sua ajuda. Vocês têm filhos em comum e nenhum dos dois irá querer vê-los magoados ou infelizes.
- Contam continuar a viver aqui?
- Eu já lhe propus mudar, tenho casa em Évora, seria um período menos conturbado, e por lá todos me conhecem, aceitam e respeitam. Se ficarmos por cá, não terei como o proteger.
- Concordo!

Foi tudo o que consegui dizer, saí dali com a cabeça a latejar, apanhada de surpresa, incrédula, buscando e rebuscando todo o meu passado com ele, mas em nenhum momento poderia ter suspeitado de algo assim. O que me restava agora? Proteger os meus filhos, e por muito que me apetecesse gritar-lhe, despejar toda a minha raiva e incredulidade, senti-me de repente demasiado desapegada e sem qualquer interesse pelo que me poderia dizer.

Um dia mais tarde, quando o Paulo e o João fossem mais velhos, aí poderiam vir então a saber do pai, e quem sabe, como em muitas outras situações idênticas, ter com ele uma relação natural, sem constrangimentos.

Eu, por ora, teria que retomar o meu percurso de vida, e cuidar-me o suficiente para não sair magoada disto. Afinal de contas, a vida é feita de escolhas, e ele já não é mais o meu marido, o homem que escolhi um dia. É apenas uma pessoa, que fez escolhas, é um indivíduo e não me deve nada, já não!

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Qual é o nome que chamo?

Qual é o nome que chamo? O teu, sempre, e em primeiro lugar!

Chamo o teu nome porque me conforta e aproxima de ti. Chamo o teu nome para te acalmar e para te deixar a ferver, cheio de vontade de mim. Chamo o teu nome quando desespero, por não ser capaz de me explicar.

Chamar por ti, de cada vez que preciso que me entendas e que te foques, em mim, sabendo que te irás aproximar, ainda mais. Já há algum tempo que chamo por ti, e que procuro fazer o que sempre fiz, contigo por perto. Já há algum tempo que chamar por ti, me passa a sensação de realidade, e de certeza. Chamo por ti por todo o amor que tenho e pela saudade que se foi agigantando e que se recusa a sair.

Estou pronta, hoje bem mais do que ontem, para chamar o teu nome quando o meu corpo se enroscar no teu, quando sentir do que és feito e quando o meu prazer se misturar no teu. Estou pronta, como nunca estive antes, para deixar para trás o que eu era, quando era apenas eu, e para receber o que passaste a representar. Estou pronta

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