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VOU!


Tânia e Carlos tinham chegado ambos, um ao outro, de outras relações falhadas, com filhas, duas cada um, e muitas mágoas e dores, mas bastou uma noite de conversa...

Desde que os apresentaram no bar, nunca mais se largaram, terminavam as palavras um do outro, riam de antecipação perante o que cada um dizia, tinham as mesmas dores de alma, reclamavam da falta de apoio e de amizade por parte dos ex companheiros, desejavam o mesmo para as filhas, e trabalhavam que nem "cães", para poderem usufruir da vida, viajar, estar com as miúdas, conhecerem e darem a conhecer o mundo.

- Não acredito, também voltaste a estudar?
- Este ano, sim, e tem sido uma felicidade acrescida, e um cansaço que quase me enlouquece, mas estou a adorar.
- Acredito que para mim, como homem, seja mais fácil, tu ainda tens todas as coisas da casa para organizar, e as miúdas. Já eu, com as minhas a virem só de 15 em 15 dias, aos fins de semana...
- Gostavas de as ter a viver contigo?
- Gostava eu e gostavam elas, a mãe nunca está para elas, nem física nem psicologicamente, sentem-se desacompanhadas e empurradas para os avós maternos, demasiadas vezes. Já pensei em pedir a custódia delas, mas não me apetece voltar ao tribunal com a ...
- Eu sei, não é bonito tudo o que o ser humano consegue fazer a si e aos outros, quando está magoado, mas tens que pensar nelas, e no seu bem estar emocional.

A parte física apenas aconteceu 2 semanas depois, e foi uma revelação. Primeiro apenas se olharam, nus, em pé, sem se tocarem, pareciam estar a admirar cada pontinho,a tentar memorizar cada pedaço de corpo, e depois, devagarinho, foram-se chegando, beijando, abraçando, mimando um ao outro, sentindo os cheiros, sussurrando palavras de conforto, de encorajamento, e tudo o resto aconteceu naturalmente, e com uma intensidade que não os surpreendeu, afinal, já vinham sonhando com isso desde que se viram. Tânia, ao contrário do que imaginava, nunca se inibiu ou sentiu desconfortável, ele era o mesmo homem atento e cuidadoso com quem vinha passando os dias, os seus corpos encaixavam na perfeição e estavam ambos sedentos de amor físico, daquele que já não tinham há demasiado tempo, e valera a pena esperar.

- Tânia minha querida, a minha ex mulher vai para os Estados Unidos e pediu-me para ficar com as filhotas.
- Estás a brincar, assim, sem imposições? Mas era tudo o que desejavas.
- TUDO será ter-te a ti e às tuas filhas também, vi uma casa enorme, elas já se conhecem e pensei... desculpa, estou a ser idiota, vais-me pedir tempo, e eu entendo e espero.
- Estás a ser tonto é o que é, eu VOU, claro, mas com condições. Falamos com elas todos juntos e se alguma se sentir desconfortável, damos tempo, combinado?

A resposta foi selada com um beijo de alívio, seguido de uma sensação de regresso a casa, a vida de ambos encaixara desde aquela sexta-feira de Março, em que quando se olharam, se viram por dentro!

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Chamar por ti, de cada vez que preciso que me entendas e que te foques, em mim, sabendo que te irás aproximar, ainda mais. Já há algum tempo que chamo por ti, e que procuro fazer o que sempre fiz, contigo por perto. Já há algum tempo que chamar por ti, me passa a sensação de realidade, e de certeza. Chamo por ti por todo o amor que tenho e pela saudade que se foi agigantando e que se recusa a sair.

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