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Não pediste...


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Feelme/Não pediste...


Vi-te ir, até a tua silhueta se misturar com todos os outros corpos e passos que pareciam tal como tu, fugir, de algo, de alguém, ou apenas seguir, continuar!

- Se me pedires não vou, tu sabes.
- Não posso fazê-lo, tu também o sabes. A decisão é tua, já esperavas por esta oportunidade há imenso tempo.
- Sim, é verdade, mas tu não existias antes, não estava nos meus planos querer-te, que entrasses na minha vida, agora é tudo diferente.

Mas eu continuava a achar que não me cabia a mim mudar-lhe os rumos, fazer com que escolhesse entre o que sempre planeara em termos de carreira, e uma mulher a quem amava profundamente, mas que também tinha um percurso e não passava por o acompanhar. Ir viver para uma cidade como Paris, que já ambos conhecíamos e na qual nos tínhamos amado profundamente, isso para já não era opção.

- Não te vais arrepender amor e fazer-nos sofrer aos dois?

Eu não sabia, não teria como, não ainda.

Voltei-me para trás, quando achei que já estava numa distância segura, e ainda a consegui ver, os seus cabelos longos, de um loiro que sempre me fascinara, o vestido negro, que lhe realçava a figura esguia, a mesma que me fizera amá-la tanto um dia, mas apenas para a voltar a perder. Dera-me os melhores momentos da minha vida, fizera-me ter uma perspectiva das relações tão diferente do que eu era e do que acreditara ser normal. Esta mulher já era parte de mim, conhecia cada milímetro do seu corpo, sabia-lhe as manhas, conhecia-lhe as gargalhadas, desejava-a mesmo quando acordava, porque até nessa altura era demasiado bonita. Tantas vezes me sentei à varanda com um medo atroz de a não ter, de que não ficasse comigo, que um dia acordasse e já não estivesse mais na nossa cama...

Não pediste amor, e eu deixei-me ir, deixei-te, segui em frente. Não sei, não tenho como saber, se foi o maior erro da minha vida, não ainda!

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