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Natal velho!




Os nossos dias eram em muito semelhantes, dois viciados em trabalho, almas sozinhas, mas com demasiados projectos em mãos, focados em tudo o que nos pudesse provocar arrepios de prazer e prontos para abraçar desafios novos e que até poderiam vir do outro lado do mundo!

Foi assim que nos conhecemos, quase que chocávamos nas filas para os check-in dos inúmeros aeroportos que mais pareciam a nossa segunda casa. De iphones em punho, com auriculares a resolver, a ditar, a decidir, quase que não nos olhávamos, mas sempre íamos largando sorrisos breves.

- Mais uma viagem?
- Yep, esta é das mais longas, uma semana, horas e dias bastantes para me balançar tudo o resto, parece que ninguém faz nada se eu não estiver por perto.

A conversa cresceu, espalhámos gargalhadas e descobrimos que éramos tão parecidos que poderíamos ter vindo da mesma casa.

O que aconteceu depois foi inevitável e de alguma forma previsível. Sabíamos o que queríamos, fazíamos amor de forma desenfreada, tal como vivíamos tudo o resto, mas era bom, cada momento passado nos muitos quartos de hotel, parecia ser o bastante para nos reabastecer. Nunca fazíamos planos, não pedíamos nem sugeríamos nada que se assemelhasse a começo de rotinas, vivíamos, usufruíamos e parecia bastar...

Pois, mas como nisto da vida acabamos a controlar muito pouco, tu apaixonaste-te desenfreadamente por mim e eu, o que foi que fiz? Fugi, corri para o mais longe que consegui, abandonei-te e fui eu mesma. Não soube mais de ti, não procurei e ficaram todos proibidos de me actualizar. Estou determinada a não ter quem me force a depender emocionalmente de outro que não eu mesma. Já me chamaram de egoísta, não me importei, por ser verdade e por ser uma escolha minha.

Num qualquer Natal, agora velho, creio que tive a possibilidade de receber o maior dos presentes, aquele que me poderia mudar por dentro, fazer-me mais humana, mas escolhi o mais fácil e controlável. Ainda não me arrependi, veremos se ainda pensarei de igual forma no futuro!

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