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A viagem!




Já a tínhamos programado, visto e revisto, trocado milhares de palavras sobre como iria correr cada passo, onde me levarias, pela mão, porque já lá estiveras tu!

Tropeçámos um no outro, numa noite fria de inverno, em que o comboio se atrasara e me acabaras a acelerar o coração. Quando te vi, de olhar perdido, com um queixo que me apeteceu beijar, de mãos nos bolsos e ombros que outrora deveriam ter sido altivos e seguros, julguei que estava enganada, que não poderia existir razão para te reconhecer e desejar dessa forma.

Demoraste algum tempo até me olhares de volta, mas quando pousaste em mim todo o teu azul céu, as minhas pernas quase que cederam e senti-me respirar mais forte. Não conseguia desviar o olhar do teu e vi-te caminhar na minha direcção, de mansinho, mas seguro do que virias encontrar.

- Olá, não sei se te conheço de algum lugar, mas não pareço conseguir deixar de te olhar.

Não respondi, as palavras estavam presas, recusavam sair e vi-te sorrir, parecias ter entendido o meu desconforto e tocaste-me a face que tinha gelado.

- Não me digas que te assustei?

Tudo o resto foi o que nos trouxe até aqui, à viagem que tanto desejámos, mas que não correu como o previra eu. Afinal querias apenas voltar para onde já tinhas sido feliz, antes, com quem te mostrara cada lugar para onde me arrastavas. Foi doloroso, perceber que não sabia nada de ti, que tinhas alguém preso, alguém de quem tentavas sossegar a dor que te lacinava por dentro, que não era a mim que buscavas, e que nem sequer éramos parecidas. Os meus longos cabelos negros, pareciam competir com o seu loiro sol, o mesmo que precisavas para te iluminar e manter vivo.

Também ela procurou o vosso passado e acabou nos mesmos lugares, olhando para onde olhavas tu e querendo-te da mesma forma. Regressei sozinha, ainda em transe, o destino consegue ser fodido, mas se te devolvi a quem realmente te fazia sorrir, fine, às tantas fui o cupido em outras vidas!

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