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Já não receio!



Deixei de ter medo de que o meu coração se transforme, que fique empedernido apenas porque uns quantos não o souberam cuidar. Sei que sou bem mais do que a forma como me olham e desejam, e que o que pretendo para mim existe, por isso o meu sorriso já não é fingido, já o sei, já o entendi, quem me trás de volta sou sempre eu!

Já não vou chorar, mesmo que sem lágrimas, agora o tempo é de retornar à estrada, de ver para além do caminho que começou aqui, mas cujos quilómetros eu saberei multiplicar até chegar, onde já decidi, onde me passei a visualizar.

Sou a que chamam de forte, sou eu sim, sou forte porque me conheço e mesmo em cada passo menos seguro, acabo sempre a perceber de que forma errei, o que calculei de forma leviana, que defesas desarmei.
Eu sou a que se levanta de cabeça bem para cima, olhando para lá de mim, com os braços abertos para os que necessitam de dias seguros e previsíveis.
Sou a mulher, a que largou muita bagagem num passado que o passou a ser, e para o qual não pretendo voltar.
Sou quem programa cada pedaço de tempo, que passei a querer que seja de qualidade, para mim e para quem sabe do que falo, menos quando não me lê na íntegra, mas que me tem.
Sou eu, a que se aprendeu a amar, a que gosta de cada imperfeição, a que amadurece mantendo-se jovem de alma.

Já não receio que os meus braços fiquem fechados, sei que os abrirei de cada vez que entender que vale a pena. Se me provar errada, terei caminhado mais um pouco, continuado e ficado mais perto de quem não receará nada, tal como eu. Viver só pode ser isto, CONTINUAR, encontrar, querer, lutar e amar INTEIRA, não quero que seja morno, acanhado, quero tudo a que tenho direito e vou dar para ter, em cada hoje e nos muitos amanhãs que ainda terei!


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