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Eu aceito!



E deixo-me ir, parece-me que é possível e que se parar de me segurar, chego onde é preciso!

Não me apetece ser apenas eu, e estava errada quando achei que conseguiria ficar mais quieta, no meu canto, sem ter que me armar de nada, de me proteger, porque me sabe bem, que estejas aí e que te possa incluir.

Os dias voltaram a ter mais sol, juntando-se ao que parece ter chegado para me aquecer, por fora, porque dentro já estás tu, e eu volto, devagarinho, a experimentar a sensação de ser desejada, outra vez, de ter quem pensa em mim, quem me mostra estar do lado certo, mesmo que o não peça, porque não deverá ser preciso. O amor não se pede, as emoções apenas se partilham. A vontade de fazer bem ao outro, junta-se ao desejo de que nos façam bem, de que nos preencham os vazios, os que inevitávelmente se irão instalar, quem nos afaste os medos e nos dê a mão, segurando a vida dentro de uma outra que se deseja começar a escrever.

Já estava no lugar certo, já me tinha decidido a incluir, a deixar entrar, a não ter medo de recomeçar, a avançar para o outro lado, porque este, o de cá, estava seguro, mais do que visto e revisto, mas acabou a ficar apenas quem poderia, saindo quem nunca desejou entrar.

Já fiz o meu "luto", de uma relação que foi longa, que se quebrou, mas que deu frutos, que me fez crescer, na qual amei como muito provávelmente jamais voltarei a fazer, pela entrega, pela necessidade de nada recear, por todos os planos que pareceram sempre possíveis, fiz o luto, tirei o negro da alma e fiquei pronta, para voltar a ser mulher antes e primeiro do que tudo o resto. Estou capaz de me deixar incluir e quero fazê-lo, porque sozinha sou apenas metade, sozinha não me consigo abraçar, os meus lábios apenas mantêm o doce e não o partilham, o meu corpo, que não será sempre assim, desesperará, à espera de um outro com quem começar e terminar os dias, alguns, muitos, todos quantos o desejemos ambos.

Eu aceito, aceito-te, deixo-te entrar, vamos ver se és mesmo tu...

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