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As pazes estão definitivamente feitas!

Feelme/Pazes feitas!

Já não me sabe bem, nem preciso, de te culpar de mais nada, de sentir ódio, mesmo que pequeno da tua incapacidade de nos continuares a querer e a incluir na tua vida.

Acabei de fazer as pazes, comigo, aceitando que não precisas de estar onde não quiseres, mas que deverás saber, que aqui onde estamos nós, terás sempre lugar, colo nas dores que te assolarem, um lugar à mesa, um assento para que retemperes a alma e bebas da nossa força, porque vais continuar a precisar de lutar, contra o mundo, contra as incertezas, mas nunca contra nós.

Estou anormalmente tranquila, continuo a guerreira, mas consegui a paz necessária para te voltar a cuidar, incluindo-te no nosso ninho, levantando as protecções que te protegerão e que me deixarão também a mim, mais preenchida e segura de que, nunca, em momento algum, os nossos filhos poderão dizer que te falhei quando mais precisavas. Cada um deles tem um pedaço do que és e por eles e com eles fortaleceremos os elos e dar-te-emos as forças que perdeste neste percurso bem sinuoso.

Fui eu que nos quebrei. Fui eu que escolhi parar de te escolher, galgando os muros que me prendiam a uma relação na qual já não tinha amor para dar. Fui eu que desmembrei a nossa família e por isso ainda me culpei, demasiado tempo, até perceber que deveria ser eu a primeira, a mais importante e que se não fosse feliz, ninguém o conseguiria ser. Fui eu que te soltei a mão e que parei de te incluir nos projectos que tínhamos feito antes, mas fi-lo porque o mais importante na vida de um casal se tinha perdido, escapado por entre os dedos e sumido para nunca mais voltar.

Deus sabe o quanto lamento não ter sido capaz de te continuar a amar como o fiz no nosso início, caramba e como te amei. Foste a pessoa que me mostrou o mundo emocional, que me acordou o corpo, que me fez mulher e me deu o tesouro que continuo a juntar, tornando-me num ser tão especialmente forte e resolvido, que para me partirem terão que me conseguir quebrar em demasiados pedaços, tantos que juntá-los deixe de ser possível.

Estou aqui, agora sem te virar as costas, como era previsível para alguém que tem o coração do tamanho deste mundo. Estou aqui, sem te cobrar o que quer que seja, apenas a desempenhar o papel que me delegaram e a fazer as pazes comigo. Estarei aqui, até que te reergas. Até que as tuas pernas voltem a ter a força e a certeza dos caminhos, que mesmo longos, terás a capacidade de trilhar. Estou aqui, porque o que começámos só terminará quando terminarmos nós.

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