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Ver e ter gente!

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Feelme/Ver e ter gente!Tema:Relações
Imagem retirada da internet


Para quem escreve, ter e ver gente é fundamental. "Nós" absorvemos gestos, sons, desejos e olhares, que depois acabamos a retratar, num momento ou noutro!

Ontem foi o dia das gentes. O dia em que nos juntámos, num cantinho de cultura, para absorver o que cada um tinha para contar, e foi muito, e foi bom. São raros estes momentos e talvez devam ser, para que saboreá-los constitua, MESMO, um prazer.

Para mim, que até sou algo bicho do mato, sair, falar com quem não conheço, expondo-me ainda mais, movimenta-me as energias e força-me a socializar de forma diferente. Os escritores também têm este "problema", o de construírem um mundo muito seu, onde estão resguardados dos tempos dos outros, e no qual se largam, completamente, sem receios, ou até com muitos, mas sem forma de impedirem o que são, e têm, de sair.

Haverá quem pense que é fácil escrever, juntando um monte de palavras, aparentemente soltas e largando-as para que as "gramem" os outros, mas é muito mais do que isso, porque ocupa e rouba muito de nós, e porque se não o fazemos, ficamos vazios, como se algo tivesse deixado de acontecer quando era suposto.

Por vezes soa a maldição, a um castigo maior, porque deveria ser possível tirar esta pele que se cola e não nos permite ser muito mais, ou talvez ser tanto, porque menos nunca será uma opção. Se cansa? Sim, claro, porque o cérebro gira e gira, até mesmo quando falam connosco estamos a navegar em projectos, em algo que nos apetecia desatar a escrever, ou no que precisávamos de fazer enquanto os outros discorrem as suas ideias. Raio de coisa...

Tão bem que agora entendo quem se torna eremita, sem dar muita margem para que os possam invadir, impedindo-os de funcionar, nos seus próprios termos. Por vezes  gostava de me retirar não tendo que fazer intervalos, quebrando o ritmo que apenas eu me deveria poder impor. MAS pronto, há que saber adaptar e há que ter gente por perto também, afinal de contas, é de cada um e por cada um que me chegam as palavras, e isso é algo que sozinha não saberei fazer, pelo menos não tão bem.

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Qual é o nome que chamo?

Qual é o nome que chamo? O teu, sempre, e em primeiro lugar!

Chamo o teu nome porque me conforta e aproxima de ti. Chamo o teu nome para te acalmar e para te deixar a ferver, cheio de vontade de mim. Chamo o teu nome quando desespero, por não ser capaz de me explicar.

Chamar por ti, de cada vez que preciso que me entendas e que te foques, em mim, sabendo que te irás aproximar, ainda mais. Já há algum tempo que chamo por ti, e que procuro fazer o que sempre fiz, contigo por perto. Já há algum tempo que chamar por ti, me passa a sensação de realidade, e de certeza. Chamo por ti por todo o amor que tenho e pela saudade que se foi agigantando e que se recusa a sair.

Estou pronta, hoje bem mais do que ontem, para chamar o teu nome quando o meu corpo se enroscar no teu, quando sentir do que és feito e quando o meu prazer se misturar no teu. Estou pronta, como nunca estive antes, para deixar para trás o que eu era, quando era apenas eu, e para receber o que passaste a representar. Estou pronta

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