5.11.15

Quem é que nos percebe?



Quem é que nos percebe, a cada um de nós, homens e mulheres, sobretudo porque parecemos ter partes que pertencem ao outro, numa mistura que apenas serve para complicar ainda mais tudo?

Umas com cérebro de gajos, e uns com cérebro de gajas, puxaaa, assim é que não dá mesmo, já passamos metade do nosso tempo a tentar descodificar informações, ora se elas vierem em duas línguas em simultâneo, quem é que aguenta?

Por favor, mais paz e amor, mais entrega e paciência e menos cobranças, só temos esta vida, não vale a pena guerrear por um quinhão de terra que nem sequer é nosso. Eu pessoalmente, mesmo sendo de um sigo de ar, não gosto de pairar muito tempo lá por cima. Preciso de estabilidade, sobretudo emocional, as inseguranças e dúvidas dos outros desgastam-me. Já voltei a enterrar o machado de guerra, voltei à concha e fui-me restaurar. Preciso tanto, mas tanto das minhas energias, que nem conseguem calcular. Os dias são longos, as solicitações enormes, as responsabilidades gigantescas, e sempre eu a fazer acontecer, por isso não me quero amargar, não preciso de não ser gostada por mim.

Os silêncios e a comunicação difusa, trás mal entendidos inevitáveis. Sem sons, cada um "lê" o que bem lhe apetecer, da forma que lhe soar, no momento que estiver a viver, daí ser sempre tão verbal, dizendo o que sinto e quero, mas pronto, esta sou eu, desta forma, não o és tu e certamente nunca serás. Como me dizia alguém, hoje, que até te parece entender, ou vou eu à luta e te faço acreditar que te quero e que estou disposta, ou jamais sairás do teu casulo, da tua armadura, porque és assim, porque não consegues ser de outra forma.

O que eu sei é que não gosto disto, não gosto de mim assim, dura, agressiva, na defensiva o tempo todo. Não quero lutar contra quem amo, não quero e não preciso de parecer o que não sou. Vou deixar que a sabedoria da noite me traga a serenidade de que preciso, e amanhã decidirei se te quero realmente, e o bastante, para lutar por ti. Se a resposta for um não, prometo que nunca mais te voltarei a "pisar", porque se não é suposto ficarmos juntos, então que pelo menos fiquemos bem, sozinhos...