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O que espelhamos!

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Feelme/O que espelhamos!


Quem somos para os outros, e o que conseguimos mostrar mesmo?

No seguimento do programa de hoje, na rádio Hertz, e no qual abordei o tema da beleza exterior com a minha maravilhosa convidada, Eugénia Tapada, tentámos levantar um pouco o véu da avaliação exterior a que todos estamos sujeitos, homens, mas sobretudo mulheres.

A mulher precisa de parecer sempre bem, de espelhar, o que muitas vezes não sente, mas que lhe exigem os outros, porque consideram que deve saber de tudo, cuidar de tudo e de todos, carregando o mundo sem protestar demasiado. As consequências, para algumas, serão devastadoras, de cada vez que se olham, mesmo, e sentem que estão a desgastar-se, e receando falhar e não corresponder.

- Estás de olhar triste, está tudo bem contigo?
- Engordaste muito, estás doente?

Este tipo de avaliações, e a busca constante para perceberem porque parecemos desta forma e não de outra, exteriormente, inibe as mais tímidas e afasta até as mais ousadas.

O que espelhamos, algumas de nós, muitas das vezes será apenas um logro, uma mentira que começamos por nos contar, e que atiramos aos outros, para que parem de nos julgar, para que acreditem na nossa felicidade eterna, ou para que se deliciem com a nossa infelicidade.

A tal da beleza exterior, muitas vezes apenas atrapalha, e conduz ao engano, porque ninguém é suficientemente bonito apenas pelo que aparenta, e na maioria das vezes, mesmo que considerem que nos olham da forma certa, porque o nosso interior consegue guardar as cores e os sons que tanto parecem necessitar, estamos de alma escurecida, de dores que a própria dor não consegue suportar, mesmo que de sorriso em riste.

Gostaria de poder espelhar, sempre, o que sou, e como sou. Mas também sei que alguns não saberiam como me carregar, e ficariam, inevitávelmente, sem chão, sem respostas, e sem máscaras.

O que espelhamos confunde, muitos, mas terá que servir, assim mesmo, sobretudo para os que acharem que parecer importa mais do que ser!

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