Boa noite!

Feelme/Boa noite!


Já não me dizes boa noite. Já não sei a quem te agarras, nas noites que prolongávamos, nós,  para que o nosso tempo, aquele que parecíamos precisar, sempre e cada vez mais, não passasse. Já não sei a quem beijas, quando beijar-me parecia encher-te e preencher-te.

Não sei onde estás agora, agora que preciso, tanto, de ti. Não sei para onde vão tantas lágrimas, as minhas, que embrulho na almofada que já não cheira a ti. Não sei se existe alguém, neste mundo, que sirva para mim e que me dê, tal como tu, e os teus sorrisos, um boa noite, que traga para os dias o que me manteria. Não sei, se sabes tu, a falta que me fazes, sobretudo de noite quando me dizias - "boa noite meu amor".

Nunca viste de que forma desabei. Nunca sentiste o que eu senti, realmente, quando te ouvi dizer que não era eu, não ainda. Nunca soubeste, o que apagaste, e como me tiraste o chão que percorria por ti e contigo. Nunca saberás, não enquanto eu souber carregar a força que me carrega, como apagaste a minha chama e me deixaste a morrer.

Onde quer que estejas, e a quem quer que digas boa noite, eu estarei, ainda, por aqui, apanhada na tristeza com a qual me alimento do que deixei de ter, a pensar em todas as noites que alimentam as minhas. Para onde quer que o teu rio corra, o meu oceano não terá forma de saber se vem de ti, se está com a mesma força, e se carrega as mesmas águas.

Boa noite meu amor, sou eu, apenas eu, que pareço não saber como deixar de precisar de ti quem te diz, baixinho, sussurrando a vontade que manterei de te manter, ainda aqui.