Ninguém!

maio 30, 2016
Feelme/Ninguém!

Ninguém, mesmo ninguém, consegue encher cada pedaço de todos os pedaços que tanto me custaram juntar. Ninguém sabe, em todos os momentos, o que sinto, o que penso e desejo para além dos meus desejos, aqueles que até incluêm alguém. Ninguém me impede de sentir que estou apenas eu, neste mundo e lugar, e que terei que ser eu, por mim e comigo, o tempo todo.

Onde quer que eu vá, por onde me deixe ir, estarei EU. Onde escolher caminhar, vendo o chão que terá que o continuar a ser, porque serei eu a caminhar, nele.

Será que sabe bem poder desligar? Será que ainda terei, nesta vida, uma outra vida que me saiba cuidar? Será que conseguirei que me ouçam, sem falarem, sem carregarem o que já carrego, eu, há muito? Será que TU ainda chegarás a tempo?

Ninguém sabe, tal como não saberei eu, por vezes, o que me ensombra, e até onde consigo ir quando me forço, mesmo, a ir. Ninguém entende, não ainda, talvez porque não o saiba permitir, o que me dói quando sinto dor, o que me magoa quando deambulo, "descalça" no chão que não é o meu, e o que me mata por dentro, de cada vez que falho entender quem não se entende, quem apenas anda, e caminha, devagar, numa falta de pressa que impede de ir, de chegar e de ter.

Quando será que alguém me fará mudar de ideias, e onde está esse ninguém pelo qual ainda espero?
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