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Eu, a escritora!

Jo Seated on the Old Sofa by                                                       ....Norman Rockwell:
Feelme/Eu, a escritora!



Nunca temos a verdadeira dimensão da influência de algo em nós, até que um dia, do nada, acabemos a perceber o que foi que accionou o rastilho. Eu tive, há algum tempo atrás, a noção de que fui verdadeiramente tocada por uma personagem, fantasiada, mas que poderia bem ter existido, tal como existo eu hoje. A Jo Marsh, do romance as Mulherzinhas, representava a menina que quase fui, porque era igualmente voluntariosa, determinada e virada para as palavras. A Jo era a mais forte das irmãs, e para quem não leu o livro, posso contar que se tratava de uma família constituída por 4 meninas, pela mãe e por uma doce empregada. Tinham ficado, as 6, para trás, a segurar os despojos de uma guerra para a qual o pai partira. Foram tantas as aventuras e as lições de vida, que quem, como eu, leu o livro, não poderá ter ficado indiferente.

Eu, a escritora, a que se denomina assim, porque sempre se sentiu capaz de juntar letras, dando-lhes significado, sou diáriamente influenciada por diversas histórias, personagens, desejos e sonhos, que acabo a juntar e a reconstruir. Eu, a escritora, sei que não poderia ter sido outra coisa, mesmo que já tenha sido muitas outras. Eu, a escritora, vou, a cada dia, permitindo que tudo o que amealhei no meu banco de memórias, me forneça o combustível que me alimenta. Eu, a escritora, sinto que posso finalmente começar a usar tudo o que me fez, assim, para poder partilhar, sem defesas e sem filtros, com todos os que me vão lendo, porque de outra forma não serei eu.

Incrível como por vezes precisamos de tão pouco, para sermos muito!

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Chamar por ti, de cada vez que preciso que me entendas e que te foques, em mim, sabendo que te irás aproximar, ainda mais. Já há algum tempo que chamo por ti, e que procuro fazer o que sempre fiz, contigo por perto. Já há algum tempo que chamar por ti, me passa a sensação de realidade, e de certeza. Chamo por ti por todo o amor que tenho e pela saudade que se foi agigantando e que se recusa a sair.

Estou pronta, hoje bem mais do que ontem, para chamar o teu nome quando o meu corpo se enroscar no teu, quando sentir do que és feito e quando o meu prazer se misturar no teu. Estou pronta, como nunca estive antes, para deixar para trás o que eu era, quando era apenas eu, e para receber o que passaste a representar. Estou pronta

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