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Não foi fácil...



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Feelme/Não foi fácil...

Não foi fácil, e já nem sei dizer se valeu a pena...

Nunca nada é fácil, seja nos começos, nos meios que prolongamos sem fins à vista, seja quando termina, mesmo. Não é fácil lutarmos contra fantasmas, procurando esqueletos em armários fechados à chave. Não é fácil libertarmos quem se aprisionou, emocionalmente e passou a duvidar até da sombra. Não é fácil apagarmos amores mal vividos e entregas que não resultaram.

Não foi fácil sair de mim, deixar de lado cada reserva, envolta nos receios que tinha de não ser apenas eu, porque alguém iria certamente pagar os meus custos. Não foi fácil baixar as defesas e forçar-me a acreditar em quem senti, tão dentro de mim que acreditei ter chegado o momento. Não foi fácil deixar-me apagar para que a luz, pequena e trémula se mantivesse. Não foi fácil amar sozinha, mais de metade do tempo, sentindo a insegurança invadir-me, dividindo cada respirar e não podendo descansar a cabeça, porque o ombro nunca ficava nem se mantinha. Não foi fácil aceitar que apenas iria ter pedaços, distantes, com sabores que nem conseguiria saborear, porque terminavam antes de começar. Não foi fácil esperar, paciente, para que me dessem um nome, um lugar e uma importância, mas assim mesmo nunca parei de lutar, de querer e de acreditar.

Não saber o que andei a fazer, tanto tempo, para onde e por quem me perdi, força-me a uma tristeza que arrisca consumir-me, deixando-me totalmente inutilizada. Não saber quem foi que achei ter encontrado, faz-me duvidar de cada célula do meu corpo, arriscando-me a desconstruir o que tanto fiz por ser.

Não foi fácil, ter permitido que me magoassem, mas certamente que já paguei o custo de tanta veleidade. Não foi fácil, mas pelo menos tentei. Não foi fácil, mas fui eu o processo todo e acabei a gostar ainda mais de mim. Não foi fácil, mas fiquei pronta!

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Chamar por ti, de cada vez que preciso que me entendas e que te foques, em mim, sabendo que te irás aproximar, ainda mais. Já há algum tempo que chamo por ti, e que procuro fazer o que sempre fiz, contigo por perto. Já há algum tempo que chamar por ti, me passa a sensação de realidade, e de certeza. Chamo por ti por todo o amor que tenho e pela saudade que se foi agigantando e que se recusa a sair.

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