9.9.16

Estou a ver-te!

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Feelme/Estou a ver-te!Tema:Contos!
Imagem retirada da internet


Estou a ver-te agora, tão próximo de mim. Consigo sentir-te respirar, ver as tuas veias no pescoço, salientes, estás tenso, queres-me tocar, precisas de me ver realmente, de perceber que sou mesmo eu, mas não te moves, estás gelado, estás com medo, do medo que nos causa a ambos este reencontro.

Tanto que temos para falar, tanto para dizer, cada um, sobre o que nos trouxe até aqui, porque não conseguíamos explicar o que sentíamos, antes, porque fugíramos do óbvio, o que queríamos afinal. Temos que encontrar uma forma, precisamos de nos acertar, de nos percebermos, ou simplesmente de nos deixarmos ir, porque assim, assim não é possível continuar, assim, amassa-nos por dentro, assim só vivemos pela metade, à espera que se encaixe a outra.

Já te moveste, estou a sentir a tua mão a tocar os meus ombros, fecho os olhos, e deixo-te continuar, esperando  que me consigas deixar da forma que tantas vezes sonhei. Regressaste a ti, percebeste que terias que fazer alguma coisa, que os silêncios de antes teriam que ser quebrados e por isso moves-te inquieto e ansioso. Os teus lábios estão trémulos, sinto-os na minha pele, sinto o calor que me passam e arrepio-me, afinal nunca saí de ti, e tu nunca chegaste a estar longe, nem um segundo, tu já tinhas entrado antes para não voltar a sair mais.

Os teus olhos estão a sorrir, ficaste, subitamente, tranquilo, o homem que sempre esteve para mim, com uma segurança que a minha insegurança quebrou, és tu, já te reconheci, e estou a dizê-lo, neste momento, sem palavras, porque elas se recusam a sair, não me obedecem e gritam-me, de dentro, que me cale, que apenas escute, e que te deixe a ti começar o que afinal terminaste.

O abraço chegou, e com ele, tudo o que precisava de saber e sentir. Os teus abraços sempre tiveram este poder, de me aninhar, criando o único refúgio que sabia aceitar e que me deixava a ser apenas eu, ainda mulher, mas com tudo o que não permito aos outros. O teu abraço abraçou a minha dor e apagou-a, já sei que és meu, que nunca o deixaste de ser, já o sei e ainda nenhum de nós falou, já não é preciso, não agora!