Quando te dás!

"E a sombra disse: 'inclui-me, ou eu te devorarei'. "  (frase de Lígia Prado, astróloga):
Feelme/Quando te dás! Tema: Me!
Imagem retirada da internet


Quando te dás demasiado, quando passas, metade do teu tempo, a cuidar dos outros, acabas a perceber, e nem sempre nos momentos mais tranquilos, que importas o que te deixarem importar e que mesmo que tentes e voltes a tentar, virá quem te diga, "eu avisei-te que era demasiado"...

Nada de mim é dado em vão. Nada do que mostro sentir pelos outros, é pequeno, simulado e sem entrega. Tudo o que preciso, é que entendam que não vem sem custos, porque também preciso de reconhecimento e de contacto visual, Eu sei que é meu, que o escolhi eu, mas não estou sozinha aqui, ou pelo menos achava que não. Eu sei que digo que não importa o que carrego, que o meu desejo é que o final seja definido e que tenha a clareza que coloco em tudo o que começo. Que valha a pena, e não apenas para mim. Eu sei que não cobrava, mas vou começar a fazê-lo, vou cuidar de mim, em primeiro lugar, vou liderar os meus passos, como já fazia antes, mas puxando menos a "corda" emocional que me tem deixado, demasiado, presa. Vou soltar-me de mim, soltando quem parece precisar que vigie menos e que esteja menos.

Não controlo nada, não consigo, mesmo que faça, aparentemente, tudo bem. Não tenho forma de levar a que os outros bebam da mesma fonte, que sigam passos mais seguros e a que parem de cair para serem, constantemente, levantados por mim. Percebi-o da única forma que funciona para mim, vivendo-o, sentindo-o na pele, deixando-me perder, por breves, longos momentos. Percebi-o e chegou no momento certo para mudar a sintonia.

Estou pronta para me desligar, já sei que consigo empreender sozinha, e que nada, nem ninguém, terá forma de me deter, de acabar a mudar o que acertei, com tanto empenho e conhecimento. Já não me vou voltar a mover no escuro, com medos que me gelavam antes. Já percebi que passei as ferramentas e que agora me cabe dar um passo atrás, e deixar que sigam, sem mim. Já percebi que me libertaram do que me parecia sufocar, que só conto até que me deixem contar e que só faço falta, se faltar realmente.

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