Avançar para o conteúdo principal

Por vezes...

Such a sweet photo. Love the way the entire focus is on the couple and the background is completely blurred.:
Feelme/Por vezes! Tema: Contos!
Imagem retirada da internet



Por vezes conseguimos ver nos outros o que também nós fizemos de errado e finalmente entender porque nunca poderia ter dado certo!

Num sábado soalheiro com um grupo agradável, cheio de gente bem-disposta, num almoço que se prolongou, que se estendeu pelo prazer que estávamos a tirar uns dos outros, fomos falando de tudo, rindo, adivinhando sensações, recordando os inícios de cada relação. Sem filhos por perto, sentimo-nos de novo jovens, descontraídos, sem pressas, mas igualmente apressados para conseguir ter um amor que nos completasse, conseguir a certeza na escolha, nos olhares da outra metade de nós.

A Ana estava um pouco cabisbaixa, mesmo rindo eu senti que não estava completa, que algo a magoava por dentro e fui olhando mais atenta, tentando descortinar pensamentos, até que finalmente, porque sou uma pessoa pouco dada a silêncios, derramei todas as palavras que certamente ela gostaria de ter usado.

- Sabes Paulo, estou para aqui a olhar-vos e pergunto-me, porque andas tu a desperdiçar tamanho amor?

- Não entendi - olhou-me baralhado.

- Não? Então eu explico. Tens uma mulher que enche os olhos de uma luz tão própria e intensa, sempre que te vê passar, a companheira que nunca adianta os passos, mas que os mantém próximos e acertados com os teus. Viste-a crescer fisicamente, aprender contigo a desinibir-se a partilhar o único corpo que reconhece e com o qual fica ainda mais bonita e mulher. Não precisas de perguntar porque o sei, nós falamos de tudo, sobretudo dos sentimentos que lhe negas, mesmo sabendo eu e todos aqui, que a amas realmente. No entanto escuta-me com a atenção de um condenado, assimila cada palavra, porque doravante te irão servir, responder e permitir que também tu cresças e te completes. A diferença entre quereres e seres realmente feliz, está na forma como amas e amar meu querido amigo, é esperar, desejar  bem no fundo de nós, que cada final de dia tenha sido intenso o suficiente para dar ao outro tudo o que queremos para nós. Ver como o nosso cuidado consegue manter a alma tranquila, o sorriso aberto, o desejo inteiro de quem nos laçou as mãos e não pretende largar, quem carregará, se preciso for, cada tijolo de uma casa com todos os andares que vão crescendo até já não ser mais possível vislumbrar os contornos, porque se ampliou a caminho das estrelas, do azul que pacifica, do sol que nunca deixará de nascer e de se pôr.

Todos me olhavam deixando que o silêncio se instalasse e eu pudesse ter o protagonismo que ansiávamos servisse para mudar algo. Por esta altura a Ana deixava rolar grossas lágrimas e incitava-me para que não me calasse.

- Nunca te vi abraçá-la desenvolto, descontraído, jamais pronunciaste os amo-te que ela, como todo o comum mortal, tanto necessita de ouvir. Andas a arrastar-te na incapacidade de dares e de seres o homem que ela viu algures, num tempo que forças a que se distancie. Acorda meu amigo, amar só poderá ser sempre o começo e recomeço de tudo o que nos dará um final mais preenchido. Usa e abusa de quem te ama como ainda não fizeste por merecer.

O que vimos depois foi o beijo mais meigo, intenso, sentido, suplicado, sofrido e partilhado que a vida nos deixara alguma vez sequer imaginar. Eu, deixei cair um sorriso vitorioso e chorei de felicidade vendo como, também a metade de mim, me acolhia de braços abertos.

- Anda cá minha guerreira, espero que eu consiga fazer-te sentir tudo o que descreveste, porque de contrário estou condenado a não te manter inteira. Sabes que te amo, não sabes?

Não foi preciso responder, desta vez os protagonistas desta história eram dois seres que pareciam estar a ver-se pela primeira vez, uma vez mais!

Mensagens populares deste blogue

Quando já não importar!

Se eu passar mais do que 2 horas sem pensar em ti. Se não apareceres nos meus sonhos. Se deixar de te chamar à atenção pelo que me falhas dar. Se procurar programas que não te incluam, então é porque deixei de me importar e quando acontecer, já nada poderá colar as peças outra vez. Isto é o que chamo de sobrevivência emocional!

Quando entrei na tua vida, foi para ocupar o espaço que tinhas vazio. Foi para me acrescentar, dando-te até o que não te atreveste a pedir e é apenas assim que concebo uma relação. Quando entrei na tua vida foi para termos muito de nós para cada um. Uma relação deverá incluir-nos em todos os momentos, crescendo connosco, sobrando em prazer e em partilha. Numa relação ampliamos o desejo de nunca sairmos um do outro, criando um lugar e um espaço que será apenas e sempre nosso. Uma relação será incluirmos os que já faziam parte da nossa vida, os meus e os teus, aprendendo a misturá-los e usufruindo do que nos oferecem.

Se não te tive antes, se não comecei, lá atr…

Decidi!

Decidi escrever sobre nós e vou tentar fazê-lo sendo o mais fiel e genuína possível!

Não sei o que tens, ou talvez até o saiba, porque o que conseguimos foi sempre crescendo e melhorando. Não acontecemos logo no princípio, mas chegámos a uma velocidade estonteante, como nunca tinha sequer ouvido falar. Já não somos exactamente crianças e é por esse motivo que sempre acreditei que sabíamos o que queríamos e precisávamos um do outro. Pensava, mas pelos vistos de forma errada, porque nesta equação eu não sou a única parte importante.

Nunca me cruzou a ideia de que não tivesses aparecido no momento certo, porque encontrámos forma, eu e tu, de estabelecermos prioridades e de nos cuidarmos emocionalmente. Nunca, em momento algum, tive vontade de recuar e de me arrepender de ter embarcado na viagem mais louca da minha existência. Nunca senti que te deveria culpar por me teres procurado, porque me soube bem deixar de te fantasiar, tendo-te mesmo.

Dizias-me que sabias quem eu era e porque te d…

Parece que estou mais velha. Pois!

Mais 1 ano e este passou a uma velocidade assustadora. De repente estou mais velha e atravesso, como se estivesse numa outra dimensão, tempestades, mas pareço sobreviver a cada uma.

Parece que estou mais velha, não que o sinta fisicamente, mas o emocional começa a acusar a pressa e a energia com que sempre fiz tudo. Decidi que quero sossegar-me, porque preciso de mais tempo para me regenerar. Agora procuro a qualidade. As pessoas verdadeiramente importantes na minha vida. Quero mais em menos tempo, porque não quero perder nenhum sem que me sinta plena. Quero um amor que me afogue num prazer que só poderei retribuir. Quero tudo do muito que ainda me falta receber.

Parece que estou mais velha, é o que me diz o cartão que me identifica, mas não me diz muito mais, o resto vou ter que ir descobrindo sozinha porque algumas etapas são muito difíceis de superar, no entanto são essas mesmas que nos fazem crescer. É o que dizem, certo? Pode até ser, mas havia necessidade de ser tão difícil? Eu s…