Avançar para o conteúdo principal

Mentiras!

Woman Looking at Sea While Sitting on Beach
Feelme/Mentiras!Tema:Contos!

Fiquei a olhá-lo, quieta, deixando que apenas a cadeira de baloiço fosse espaçadamente abafando os gritos do silêncio.

Tentava em vão recordar-me o que me fizera amá-lo tanto, correr para os seus braços sempre que o avião aterrava. Mudando as minhas rotinas e deixando coisas por fazer e dizer. Eu prometera um dia amá-lo na saúde e na doença, jurara fidelidade, unira o meu coração ao seu, mas agora ansiava por alguém ou algo que me permitissem fugir, correr sem olhar para trás, sem ter que me explicar, sem dramas, sem pedidos de tempo e sem desculpas.

Brincava na areia com as filhotas e de quando em vez deitava-me um sorriso, um olhar, e eu acabava a sentir-me ainda mais miserável. Traíra-o, tivera outro homem na minha cama e coração e gostara, muito, mais do que me recordava jamais ter gostado com ele.

- Carolina ajuda-me amiga, já não sei como estar com o meu marido, aceitá-lo, fingir que o quero e que me dá prazer. Desculpa o desabafo, eu sei que tu e o Rui são o nosso casal modelo.

Como se enganava, as mentiras são tão fáceis de construir e acabam a agigantar-se a cada dia. Eu sei como eu fazia, fingia, pensava no outro, em outros e acabava mal comigo, com uma sensação de "sujidade" interior, sentia ódio do que me obrigava, dia após dia.

- Só temos esta vida. -Recordava-me a minha mãe vezes sem conta e eu acreditava agora que teria de a recuperar, à vida, aquela que me negara a mim mesma em nome de um amor que nunca chegou a acontecer.

Levantei-me, determinada, mais forte do que nunca, sabia ter chegado a hora, precisava de recomeçar a respirar, o meu espaço agigantara-se de repente e eu repetia baixinho que era agora, que queria e iria ter tudo.

- Rui, precisamos de falar...

Mensagens populares deste blogue

Qual é o nome que chamo?

Qual é o nome que chamo? O teu, sempre, e em primeiro lugar!

Chamo o teu nome porque me conforta e aproxima de ti. Chamo o teu nome para te acalmar e para te deixar a ferver, cheio de vontade de mim. Chamo o teu nome quando desespero, por não ser capaz de me explicar.

Chamar por ti, de cada vez que preciso que me entendas e que te foques, em mim, sabendo que te irás aproximar, ainda mais. Já há algum tempo que chamo por ti, e que procuro fazer o que sempre fiz, contigo por perto. Já há algum tempo que chamar por ti, me passa a sensação de realidade, e de certeza. Chamo por ti por todo o amor que tenho e pela saudade que se foi agigantando e que se recusa a sair.

Estou pronta, hoje bem mais do que ontem, para chamar o teu nome quando o meu corpo se enroscar no teu, quando sentir do que és feito e quando o meu prazer se misturar no teu. Estou pronta, como nunca estive antes, para deixar para trás o que eu era, quando era apenas eu, e para receber o que passaste a representar. Estou pronta

Em quem pensas?

Pensas em ti ou em nós?

Pensar inclui querer, ao outro, o que queremos para nós, tudo o que nos deixar melhor e que nos souber aos sabores que nos passam os sentimentos verdadeiros. Pensar em quem se ama, terá que ser feito bem antes de pensarmos em nós mesmos. Não conseguir pensar, significa apenas que queremos fechar a porta que abrimos, porque mantê-la aberta será demasiado.

Pensas em ti, ou em nós, quando estás sozinha, a olhar para o nada que criaste quando afastaste quem amavas? Pensas em ti, MESMO, quando te impedes de sentir o que apenas o outro te pode passar? Pensas em ti quando desistes, quando te magoas nas tuas palavras e de cada vez que rasgas, mais um pouco, o que já começou débil e inseguro?

Quando e enquanto o sono não chega, avalias o que foi passando, a uma velocidade que excedeu a tua capacidade de adaptação. Ouves as palavras, sentes os toques, mas somas cada lágrima e foram realmente muitas.

Pensas em ti quando percebes quem és e entendes que és assim mesmo, mais f…

Decidi!

Decidi escrever sobre nós e vou tentar fazê-lo sendo o mais fiel e genuína possível!

Não sei o que tens, ou talvez até o saiba, porque o que conseguimos foi sempre crescendo e melhorando. Não acontecemos logo no princípio, mas chegámos a uma velocidade estonteante, como nunca tinha sequer ouvido falar. Já não somos exactamente crianças e é por esse motivo que sempre acreditei que sabíamos o que queríamos e precisávamos um do outro. Pensava, mas pelos vistos de forma errada, porque nesta equação eu não sou a única parte importante.

Nunca me cruzou a ideia de que não tivesses aparecido no momento certo, porque encontrámos forma, eu e tu, de estabelecermos prioridades e de nos cuidarmos emocionalmente. Nunca, em momento algum, tive vontade de recuar e de me arrepender de ter embarcado na viagem mais louca da minha existência. Nunca senti que te deveria culpar por me teres procurado, porque me soube bem deixar de te fantasiar, tendo-te mesmo.

Dizias-me que sabias quem eu era e porque te d…