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29 dias!

beautiful, bloom, blooming
Feelme/29 dias!Tema:Sentimentos!


29 dias foi o tempo que Ana demorou a fazer o luto. Foram os dias em que o seu corpo, pela primeira vez, desde que se conhece por gente, se lhe negou, não quis funcionar e se recusou a obedecer-lhe, remetendo-a para segundo plano.

A Ana, tal como muitas outras que cruzam o meu caminho, são verdadeiras sobreviventes. Sempre conseguiu focar-se no que era importante, para o que a fez a mulher que demorou a construir. Nunca baixou os braços a nada. Já chorou, tal como outras 100 Anas, em total desespero, com um medo atroz de nunca mais conseguir tocar alguém. A Ana sabe agora, depois de 29 dias de chão, frio e isolado, que no final, tudo o que antes magoava, se vai tão rápido quanto chegou. Agora sabe que tudo tem uma razão de ser, e que o que fabricou, era apenas isso, uma invenção de um cérebro povoado do que falta aos outros. A Ana entendeu que para a manterem, terão que ser bem mais fortes e determinados do que ela já é capaz, porque de contrário terá que desligar o botão. 

Sempre soube o que esperava de um companheiro, e assim sendo, também sabe que não voltará a tentar contornar as esquinas vivas. A Ana esteve numa espécie de retiro espiritual, apenas não foi voluntário. Comeu pouco, orou bastante e deixou para trás quem amou, no tempo que lhe foi oferecido e da única forma que sabia.

Hoje, 29 dias depois, levantou-se como já aprendera a fazer, e quem a comandou foi o cérebro. Ele ordenou ao corpo e ao coração que parassem com as lamechices, e tomou o volante de volta. Chegou-lhe, foi uma lição de vida, e sabe que depois disto, depois de um amor, que até poderia ter sido grande, permaneceu quem importa, ela mesma!

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Chamar por ti, de cada vez que preciso que me entendas e que te foques, em mim, sabendo que te irás aproximar, ainda mais. Já há algum tempo que chamo por ti, e que procuro fazer o que sempre fiz, contigo por perto. Já há algum tempo que chamar por ti, me passa a sensação de realidade, e de certeza. Chamo por ti por todo o amor que tenho e pela saudade que se foi agigantando e que se recusa a sair.

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