27.1.18

Será que sabes o que queres?

Razão de viver....


Pareces querer que seja condescendente com a tua inércia. Pareces precisar que aceite que não sabes como fazer melhor, mas não sou capaz e recuso-me a olhar-te como se fosses indefeso. Queres que entenda as escolhas que deixaste por fazer, mas não tenho como, porque a cada dia, durante todas os minutos e horas, sou forçada a escolher por mim e pelos que estão à minha responsabilidade. Faço acontecer. Vou, quando me apetecia, tantas vezes ficar. Decido, baseada em muita pesquisa e escolho o que me servirá, porque não me serve não escolher nada nem ninguém. Encontro o que procuro, mas tenho mesmo que saber como e onde procurar. Tenho orgulho em mim e recuso a fraqueza que me impediria de continuar, como sempre fiz e pretendo continuar.

Por vezes quase que me deixo levar pela vontade de ser como tu. Quase que me liberto do peso de parecer, mas rapidamente, poucos segundos depois, encolho os ombros e rio-me do arrojo. Poderia, até porque a isso tenho direito, não estar tão certa. Não ir tão longe. Não fazer acontecer tanto. Poderia, se eu mesma me permitisse, regredir e aceitar metade de coisa alguma. Por vezes até que me apetece deitar e desistir, mas sei que se não for eu, mais ninguém poderá dar tanto e estar tão próximo.

Não sei quando e de que forma consegui ver quem não existia. Não sei onde fui buscar tanto conteúdo para um recipiente totalmente vazio. Não sei como fui capaz de ler o que nunca esteve escrito. Não sei tanto, nem como deixei, por breves-segundos, os que bastaram, de lado o pragmatismo que me mantém viva e em segurança. Mas assim mesmo, não sei como vou sabendo tanto e conseguindo prosseguir.


Posso até achar que pareces querer alguma forma de validação, mas já me impedi de arrastar inverdades e sei, como sabem os que fizeram por amadurecer, que não queres coisa alguma e assim continuarás...