26.5.12

Eu primeiro!


                                     


Era suposto sairmos hoje, jantar, conversar sobre nós, redefinir prioridades, mas não apareceste, nem avisaste, simplesmente recolheste-te no que sabes fazer melhor, nos silêncios, nos teus medos nem eu mesma sei bem de quê. 

Vou deprimir, chorar, cair na tristeza dos corações abandonados? Nem pensar! Vou sim aproveitar a minha noite, um fim-de-semana todiiiinho só para mim e cuidar-me. Estive bem mais de uma hora na banheira, com espuma, velas que espalhei, som ambiente, e fui recordando passagens da minha vida, percursos, escolhas. Saí com a pela cheirosa, macia e após me limpar com todo o cuidado, passei um óleo de pêssego, vesti um body preto e fui para a sala dançar.

“I don´t wanna lose you” da Tina Turner, sentia-me sensual, feminina e deixava o meu corpo rolar lânguido, ao som  de uma canção cuja letra já não corresponde ao que eu quero. O que eu não quero afinal é perder-me a mim mesma, perder a possibilidade de me sentir a pessoa mais importante da minha vida. Quem me quiser tem que entrar total e completamente, não poderá deixar pedaços, vontades, sonhos ou sequer sons de fora. O que dói mais é o que não se entende, o que não se ouve, vê ou antevê.

Eu sou mulher, bonita por dentro e por fora, sinto com intensidade, respeito, amo e dou de volta tudo o que recebo. Não sou metade de nada, procuro o que me faz feliz e sei agora melhor do que ontem, tudo o que preciso para sorrir de manhã, para levar os meus dias com passos seguros, e confiantes e chegar às noites completa, sequiosa de outros amanhãs, onde apenas estarão os que na verdade importam na minha vida.

Lamento que não queiras, que não consigas dar nem receber mais, que sejas pequeno e mundano no desejo, lamento por ti, e lamento sobretudo que tenhas perdido a oportunidade de ter por perto quem certamente te encheria de vida, de amor, de sensações, de danças sensuais, de músicas eternas. De todo o amor que não te cabe na alma, lamento, mas eu não me quero perder!





14.5.12

The sight of You!


Estou a olhar-te, vejo-te, mas não me mexo, não quero que percebas que estou aqui, sinto-me encolher até ficar invisível. Estás bonito, bem cuidado, oiço o som das tuas gargalhadas e elas doem-me por dentro, a tua felicidade já foi antes a minha, mas hoje tudo o que te move não tem o meu nome, não anda na minha direção, já não somos mais nós, és tu, com uma vida nova, és tu com as escolhas que fizeste e que não me incluem. Julguei que seria mais fácil, nunca me senti verdadeiramente dependente de ti até que me faltaste. Prometi que te traria de volta, mas baixei os braços, recusei-me a mendigar, a soltar as palavras que tantas vezes me pediste.
- Porque te custa tanto dizer que me amas? Porque és tu sempre tão distante, tão assustadoramente segura?
Mas eu não era assim, distante, fugia de ti sim, de ficar presa, de passar a precisar de ti para sobreviver, viver, sentir, querer, e apenas porque amar assim me assustava, não queria ser “addicted to love”, queria ter poder, mandar nos meus sentimentos, queria… até ao dia em que percebi que já o era e que a vida ficava vazia sem ti.
Passei a olhar-me ao espelho sem voltar a ver a mulher que impressiona tanto os outros, eu já não estava mais lá, fugira, nem sei bem para onde. Em tempos dissera que jamais alguém me perderia, me levaria a alma, me obrigaria a arrojar pelas sensações de desespero, a chorar pelos cantos baba e ranho de cada vez que não estivessem para mim, mas enganei-me, afinal sou humana, sou mulher, sofro e choro, caramba e como choro. Juro que inundei a casa, deveria ter armazenado a água para dias mais secos.
Noutro tempo e lugar iria rir de mim, dizer que eram pieguices, mas agora não falo, não reajo, deixo-me ir, resigno-me e enrolo-me à espera de que tudo passe, tudo o que me faz deixar de ser eu mesma. Afinal eras a outra metade que eu nem sabia que buscava, encontrei-te e só para te perder de novo. Que Gaja burra!
Finalmente levanto-me, conserto o vestido de corte elegante, afasto os longos cabelos que por momentos me mantiveram escondida de mim mesma e sinto os olhos que me seguem, sou sempre assim admirada e desejada, mas que pena sentiriam da mulher que me tornei se me vissem por dentro. Tu entretanto já te foste, de bem com a vida, bem acompanhado, a rir com aquele riso que tantas vezes ouvi, agora já te foste e uma vez mais desisti de querer, de pedir, de correr para o que representas na minha vida. Escolhi ficar aqui!
Estou a olhar o mar, perco-me na sua imensidão e estremeço, de medo, de frio, de ansiedade, de desespero. Como será que se sobrevive ao desamor? Como se recomeça? Por favor alguém que me tire a dor, me dê colo, me aperte e conforte. Tenho medo, tanto medo de acabar só, vazia, de nunca voltar a ter por perto quem me faça rir de mim mesma, de me soltar, de andar descalça e de sentir para além do que em vão sempre quis controlar. Eu não sou dona de mim, não mando em nada, nem sequer no meu coração, sobretudo nele!

7.5.12

De volta a mim!


Feelme/De volta a mim!Tema:Contos!
Imagem retirada da internet
Estou a olhar para ti mas não acredito, quantas vezes dei comigo a desejar o reencontro que agora aconteceu? Nem eu sei, mas não reajo, quero tocar-te, saber se és real, mas os meus músculos estão paralisados. Estás a sorrir-me, já percebeste que estou incrédula e dás-me, pacientemente, tempo para que recupere. 

Quem é que conhece a sensação de querer tanto alguma coisa que até se surpreenda ou duvide quando finalmente chega? O que foi diferente hoje? Será que esperei com mais força, mais vontade? 

Hoje por acaso foi daqueles dias em que gritei bem alto, enquanto conduzia lá para os lados de onde te vi e senti pela última vez, gritei o teu nome, cerrei os punhos em desespero, tenho alguns dias assim, em que desespero de tanto desesperar, outros serão bem mais tranquilos, serenos, mas hoje quis-te, tanto, tanto que talvez me tivesses ouvido por dentro. Não queria ter que esperar, ter que continuar a sonhar-te apenas, queria e quero sentir-te e como anseio por te sentir de novo.
- Sou eu, vem cá minha querida, deixa-me olhar-te.
Falaste, é a tua voz, aquela mesma que me despertava diariamente para a vida que ansiava mudar, e apenas porque entraste nela. Existem almas gémeas sim senhora, eu atesto, outras que já nos conheceram e que reconhecemos mal vemos e ouvimos. Eu conheço-te de outras eras, de outros amores que te tive, porque sei que sempre te amei, a ti que reencontrei agora.
- Não é possível, parece que os anos não passam por ti, continuas na mesma linda, mais madura, mas de olhos brilhantes.
Enquanto me falavas baixinho, sentia as tuas mãos nas minhas nádegas, na minha cintura, tocavas-me, mexias-me, estavas a sentir-me de novo, como da nossa primeira vez, daquela vez em que passei a sentir o teu cheiro, em que tive os teus abraços fortes que até hoje me reconfortaram sempre que te ansiava. Eu não sei, porque és tu, mas sei que o és, que te sonho sempre tão real, que só poderias estar outra vez aqui a olhar-me. Eu apenas me aninhava no teu peito, não te queria largar, o teu corpo quente estava de volta ao meu.
- Já te disse que te amo? Que te vou amar e querer até que te esfumes para sempre?
- Disseste-me mais vezes do que eu a ti, porque fui um fraco, porque senti sempre que não estava à altura de ti.
Calei-te com o beijo pelo qual esperei tanto, mas tanto, que agora ponho a alma, a dor, a vontade e todos os sonhos que sonhei de ti e contigo, juntos com ele. Sonhos nos quais voltámos a amar-nos com a intensidade a que nos habituámos. Ter-te dentro de mim foi sempre reconfortante, completo. Sempre que te implorava – “Por favor amor entra dentro de mim, preciso de te sentir até que te fundas em mim”. Fazer amor contigo não era apenas físico, era uma necessidade mental, irreal, que vinha das entranhas. Acho que tanta intensidade te assustava sim. Ao contrário de mim não acreditas no além, em reencarnação e em outras vidas. És terra a terra, mas até tu te perdias em explicações vãs do que seriam estes sentimentos.
Estamos ambos nus, olhamos o tecto de mãos dadas, respiramos pesadamente os orgasmos intensos e múltiplos que tivemos. Fora sempre assim e nada mudara ainda.
- Alguém te deu o mesmo que eu, em todos os corpos que procuraste?
- E como sabes tu que tive outros corpos?
- Sei, porque sinto, porque te conheço como a mim mesma. Procuraste outros corpos que te afugentassem de mim. Tiveste outros orgasmos, mas não eram os mesmos. Não tens por onde fugir se quiseres ser tu de novo, e já o entendeste.
- E tu esperaste por mim?
- Eu espero por ti faz muitas vidas. Assim será, até que todas elas sejam vividas.
Estou eu agora por cima e vou-te recordar o quanto é bom sentires-me, como o meu calor te queima, te enlouquece.
- Ninguém se mexe como tu. Enlouquece-me outra vez, lembra-me de ti, sê minha.
Desta vez prometo que não te deixo fugir, ir embora. Vou-te ter, vais ser meu, vou-te matar de amor, de calor, de beijos, de medo de não me teres mais. Vou ser tudo o que precisas e desejas. Mais do muito que sei que ainda te posso dar!