Sim, sou eu!


- Estou, quem fala?
- Olá, minha querida, sou eu, apagaste o meu número?
- Cada um defende-se como pode e sabe.
- E porque precisas tu de te defender de mim, sabes o que sinto por ti. Preciso de te ver, agora.

Já conheço bem tudo o que vem a seguir, sei o que procura, como me quer, porque razão me liga!

- Julguei que já terias aceite que não temos como e porque continuar.
- Eu sou viciado em ti, preciso de te sentir para me sentir vivo, se me negares a tua boca que não canso de beijar, o teu corpo que parece ter sido desenhado para encaixar no meu, o teu olhar...
- Pedro, meu querido, vamos ter que parar um dia, assim esgotas-me, anulas a minha existência, manténs-me à espera do que não vai chegar.
- O que queres que eu faça?
- Quero que pares de ter medo do que te faz bem, que deixes de ser cobarde, que entendas o que conseguiste e o que vais perder, porque um dia meu querido, eu já não estarei mais aqui, nem o número será o mesmo e tudo o que tiveste ficará sempre para lá do que poderíamos ter sido.
- Deixa-me ver-te por favor pequenina, precisamos de falar.
- Não, não hoje, não agora, já não, vou finalmente tirar-te de mim, assim como se tira a espuma que nos amacia a pele mas que não tem como permanecer. Eu estou a lavar-me de ti, já não dói, já não me faz sentir mal, chorar de noite, quando me sinto sozinha, enrolada em mim mesma, com falta de corpo e toque. Desisti de ti, finalmente.

Vou retomar-me, começar o percurso outra vez, esperar por quem saiba esperar por mim!