Gostava...



De conseguir ser uma outra, bem diferente da que conheço!

Por vezes canso-me da minha necessidade de dizer sempre o que sinto e de não me refrear nas palavras.

Por vezes gostava de ser um pouco dissimulada, de não ter que esfregar, em algumas pessoas, a minha noção de integridade e forma de vida.

Por vezes preferia conseguir sorrir perante as inúmeras atrocidades que sempre vão fazendo à nossa língua, aquela que ao ser mal usada origina resultados desastrosos.

Ainda ontem uma amiga me incitava a deixar ir, a largar da mão quem já não faz parte da minha vida, mas assegurei-lhe de que também consigo ter o meu quinhão de cobrança, que ainda não aprendi a deixar ir quem tanto ajuizou e julgou, para agora se estar a estatelar de cara no chão e eu a ver.

Eu sou doce, acessível, mas se me tocarem no botão errado, eu disparo, de forma tão bélica e determinada, que causo danos. Por favor, enquanto não consigo ser outra, a tal que até gostava de ser, cuidem de não mexerem comigo, é que muito provávelmente vai correr mal!