Quando sinto medo...



Ligas, aflito, e apressas-te a tranquilizar-me!

Vou-te ouvindo, com muita atenção e concordando, porque a tua maturidade deixa-me perceber que pode ser como antecipas, e que se confiar, será da única forma possível, será bom.

Hoje estive assim, e nem o sol me deixou derreter o nervosismo, porque sei de que forma me queres e o que acontece quando me tocas.

Temos química, eu e tu.
Temos o mesmo sentido nas palavras, e conduzimo-las de igual forma. Um acaba sempre por concluir a frase do outro, ou por perceber o que se diz, muito antes de ser dito.
Temos uma necessidade emocional latente, queremos alguém na nossa vida que ajude a superar tudo o resto.

Somos ambos tão lá acima, estamos no mesmo patamar e andámos pelos mesmos caminhos.
Lemos compulsivamente, gostamos dos mesmos autores e até descobrimos que já relemos mais do que uma vez, os livros que nos tocaram a ambos.

És tão eu, que parte de mim duvida que estejas desse lado.
És tão cuidadoso e acolhedor, nesses teus braços que me parecem sempre gigantes, porque caibo lá eu inteira.
És o que preciso, e nunca tive tantas certezas na vida.

Por vezes o meu medo passa pelo que serei eu capaz de te dar, mas tu entras em cena e dizes que tenho tudo, que sou tudo e vou transcrever a tua mensagem:

"Tu alimentas-me, enches-me e preenches-me, tu entras, a cada dia, na minha cabeça e passas a dominar mais de 70% do que sou e do que faço. Tu fazes sentido, comigo, e se não te leio, se não te sinto, se não te oiço, nada fica completo, e quase que arrisco uma sensação de desespero, de um ar que não circula, que me abandona. Tu és a mulher que já procuro, há tanto tempo, que quase arrisquei desistir, mas chegaste e como não sou louco, jamais te deixarei sair de mim".

Por que razão ainda sinto medo afinal?