O que seria de mim...


Feelme/O que seria de mim...

Como é que me voltaria a pôr de pé, se a tua falta física fosse para sempre, se nunca mais te pudesse tocar, e se soubesse que saber de ti jamais seria possível?

Arrepiei-me, apenas com a ideia, porque sinto que passamos metade do nosso tempo a achar que tudo ficará no lugar certo, e que teremos forma de resgatar o que perdemos, mas se for para sempre, se nunca mais tivermos como nos olhar, e se acabarmos onde começámos, à procura um do outro, como é que eu poderia resistir?

Tanto que já tivemos, mas tão pouco ainda, que perder-te, irremediávelmente, seria perder o pedaço maior de mim, e isso sim seria difícil de suportar. Ainda consigo saber ao que cheiras, como te moves e de que formas me abraçavas, agora ainda poderia reservar-me a um momento de loucura e ligar-te a implorar que me escutasses, que aceitasses aceitar-me, mas se te fosses para sempre, se o teu corpo se consumisse para permitir a saída de uma alma que não poderia continuar aqui, eu sei que enlouqueceria, sei-o porque me estou a contorcer de uma dor real, apenas de o imaginar, sei-o porque não poder voltar a ti, de cada vez que me apetecesse respirar-te, tirar-me-ia todo o ar, e acabaria a rasgar-me por dentro, sem conserto, sem forma de ser restaurada, nunca mais, não aqui...

Aceito tudo, até a fazer um pacto com aquele a quem não me atrevo a escrever o nome, aceito cair uma e outra vez, aceito magoar-me e sentir o sangue escorrer dos lábios que mordo, TUDO, para que continues aqui, mesmo não podendo ter-te, quero sentir e saber que alguém te poderá tocar, que continuarás a sorrir para a vida, que levarás por diante os teus sonhos, quero e preciso que não me deixes totalmente, mesmo que o já tenhas feito, que já o tenhas decidido.

Existem pessoas que chegam para se terem, mas que são levados, sem aviso, impedindo o outro de voltar a caminhar da mesma forma, essas sim, sabem o significado da perda e tudo o resto serão apenas pequenas lombas na estrada, por isso não quero saber o que sobraria de mim, de que forma me voltaria a arrancar palavras, porque se te fosses, para sempre, nada de mim poderia ser utilizado, seria esvaziada de dentro para fora, limpa de cada célula, ficaria nua, ficaria apenas eu e deixaria de importar!