Era eu contigo e eras tu comigo!

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Fomos, as duas, amigas do coração, ligadas pelo sangue, e juntas até que o permitiu a vida e as nossas escolhas!

Teríamos, eventualmente, que seguir percursos apenas nossos, mas tivemos tudo de nós, estivemos próximas quando e sempre que nos fizemos falta, sabíamos dos amores, das dores, mantinhamo-nos seguras esperando que a porta se fechasse para podermos dormir tranquilas, olhando-nos e vendo-nos realmente.

Caminhámos juntas até à faculdade, escolhemos os mesmos cursos, partilhámos o quarto e tivemos amores que se pareciam. Ríamos de tudo, usufruíamos  de cada conquista e incluíamos quem se aproximasse pela nossa alegria, luz e vontade de viver.

Tudo o que foi possível mantermos igual, ficou igual. Tudo o que a nossa garra nos levou a fazer, teve a opinião, a análise e a crítica que esperamos de amigos verdadeiros. Dizíamos muitas vezes que Deus errara na atribuição da família, porque deveríamos ter nascido irmãs, mas a verdade é que muito provavelmente não nos teríamos apoiado tanto se o fossemos, nem passado tantas horas a sonhar acordadas, falando, noite fora do que iríamos fazer juntas, e fizemos mesmo. Concretizámos cada desejo. Perseguimos cada sonho e fomos bem sucedidas, até quando criámos as nossas próprias famílias e as juntámos ao que já éramos nós.

Tivemos o nosso quinhão de balanços, de tombos, de dores que quase nos mataram por dentro, mas nada foi vivido, ou suportado sozinhas, até quando tive que te segurar as mãos enquanto as agulhas te furavam a pele gasta e a tua alma ameaçava abandonar-te. Estive SEMPRE onde deveria e não faria nada diferente, teria vivido com a mesma intensidade, chorado as mesmas lágrimas e rido até me doer a barriga. Não mudaria nenhuma vírgula a tudo o que te disse, nem à forma como te amei, minha irmã do coração. Não mudaria a felicidade que te fiz sentir tantas vezes, mudaria só e apenas a hora em que ouvimos ambas, de mãos bem apertadas e de coração a saltar do peito, que a tua doença te levaria, e levou mesmo, para tão longe que não tenho forma de te tocar, de te abraçar e de voltar a rir das tuas loucuras.

Era eu, contigo e eras tu comigo desde que sou gente, e agora tenho que continuar no meu percurso, sozinha, cuidando dos meus, dos teus e mantendo apenas as memórias, porque essas deixarei iluminadas para que saibam todos o quanto podemos ter a outra metade de nós também numa irmã.

Eu estou aqui e sei que desse lado iluminarás os meus caminhos, e que mesmo nunca voltando a ser os mesmos, continuarão a ter-te na estrela que olho de cada vez que levanto os olhos para que não me vejam as lágrimas.

Era eu contigo e eras tu comigo e assim seremos, até que nos tenhamos de volta!