Estou a sentir-te, agora ...

Feelme/Estou a sentir-te, agora...


Agora, neste preciso momento, enquanto todas as partes do meu corpo se movem, numa dança que já conheço, acompanhada dos sons que me dizem tanto, porque estás em cada um. Estou a sentir-te enquanto me solto, em cada movimento, levando a que as minhas pernas saibam, exactamente, o que fazer e quando. Estou a sentir-te, com os olhos fechados que ainda assim te conseguem ver e te imaginam, colado a mim, enquanto, lânguida, pronta, desejosa de um desejo que não passa, não até que te tenha.

Eu sou feita tanto de sentimentos, quanto sou de sons, os que servem para me acordar de mim e voltar a funcionar.
Eu sou a que encontra, sempre, forma de se restaurar, quando o despertar não foi o esperado.
Eu sou a que conhece, tão bem, este corpo, por onde só passas tu, mesmo quando não estás.
Eu sou a que te encontra de cada vez que te procura, porque há sempre forma, sobretudo quando o que está do outro lado é o que faz este continuar.

Não paro, não me sossego, não desligo até que toda a forma de te sentir me encha e preencha, cada pedaço. Não permito que te vás, por muito tempo, porque sei como te manter vivo, à minha espera também.

As músicas que vão surgindo, uma a uma, e passeando por mim, são o antídoto, milagroso, para tanta espera, para cada segundo que sei que não te trará, mas que também te impedirá de partir.
As músicas, escolhidas, a dedo, fazem-me voltar a mim, a ser quem precisa de funcionar, a 1000, estando em todos os lugares em que faço falta, e sendo, para mim, a que tenho que ter para não parar, para nunca me parar.
As músicas que escuto, atenta, permitindo que entrem em mim, como entrarias tu, se estivesses aqui, agora, para me tocares onde preciso, para não enlouquecer de uma loucura que me levaria até o que nunca ninguém conseguiu arrancar.

Tudo acaba a funcionar, outra vez, quando funciono eu, quando eu sou aquela com quem se conta, a que cuida de quem tem que ser cuidado, estando onde é previsível, mesmo que fuja, por segundos, para onde mais ninguém me encontrará, excepto tu, que nunca sais de onde estiver.