Quando passas...



Quando passas, é inevitável, não há como deixar de sentir o teu cheiro. Estás em cada lugar, em todas as esquinas e obviamente, em mim! Quando passas, cada pedaço do meu corpo reage, os meus sentidos apuram-se e fico tão alerta que seria capaz de te seguir até de olhos fechados. Quando passas todos os outros cessam de existir e o mundo passa até a girar ao contrário. Quando passas, fico quieta, à espera que me sorrias e te aproximes, que me toques e me beijes, que me abraces e me leves o resto do dia.

Já cheguei a achar que se não te tivesse não teria nada, mas percebi que não era verdade. Mesmo que sejas quem me consegue ver através de mim. Mesmo que me tenhas presa em cada poro. Mesmo que me faças questionar até o sentido da vida, sei que se te fores, parte de ti permanecerá e o teu cheiro voltará de cada vez que te sentir a falta. Já cheguei a sentir o ar falhar, o corpo a retesar-se de cada vez que admiti a possibilidade de te perder, mas percebi que se não ficares é porque o decidiste e não porque te mandei embora, por isso terei sempre o que vale a pena enquanto valer mesmo a pena.

Quando passaste a primeira vez, achei que estaria capaz de fugir deste mundo, largando tudo e todos e devotando-me ao amor que passaste a representar. Mas... e o mas é mesmo tramado, porque com ele abrem-se outras possibilidades, se não pudermos, se não quisermos, NADA, mas mesmo NADA deixará de correr como antes, apenas o cheiro se esfumará eventualmente, mesmo que se mantenha. Ninguém será jamais um mundo, e ninguém poderá alguma vez substituir o que já somos e temos, apenas acrescentar. Por isso, e agora, quando passas o teu cheiro recorda-me de tudo o que foste, o que ainda és, mas também do que continuarás a ser para mim, se não ficarmos.