8.3.16

O "tal" dia...



O dia da Mulher! Ele vai chegando, todos os anos, no mesmo dia, e em apenas um que óbviamente não bastará para que percebam, todos, nós incluídas, que não é disso que se trata, que não estamos a celebrar um grupo corajoso que pagou caro o arrojo, estamos a banalizá-lo, e a usá-lo como desculpa, sorteando uns quantos brindes e estando em lugares diferentes, para muitas, apenas UM DIA POR ANO.

O dia da Mulher meus amigos, não é "isto", não pode ser, e eu recuso-me a celebrar o que me faz, verdadeiramente pensar, no que ainda não somos, no que ainda não temos, e no que ainda não nos concedem, sim, porque se trata disso mesmo, temos que continuar à espera que generosamente nos permitam ser o que afinal até já deveríamos ser.

É, para mim, sempre algo triste, ver que algumas mulheres preparam este dia, apenas porque lhes é concedida uma ordem de soltura, agarrado-se à ilusão de que são o que sempre desejaram, e recusam as grilhetas que lhes foram colocadas assim que se atreveram a responder "SIM", no suposto primeiro dia do resto das suas vidas.

Tão pouco que ainda se caminhou, tão pouco que se fez por mudar o que já todos sabemos estar errado, tão pouco que se olha para o que deve ser visto, diáriamente. Não vos vou passar factos, nem números, apenas o desejo maior, de que olhem um pouco mais por cada uma, para que beneficiemos, as restantes, no colectivo, conseguindo o que já deveria ter chegado.

Não vamos precisar de morrer nem de ser mortas, não teremos que queimar nenhuma roupa interior para que nos considerem, mas teremos, rápidamente, que mudar o nosso próprio comportamento, para que ensinemos aos outros como queremos e devemos ser tratadas. Devemos isso às mulheres que não têm voz, nem rosto, porque até estão cobertos. Devemos isso às nossas filhas e filhos, para que se respeitem e amem da forma certa, porque quando recebemos alguém no coração, só poderemos desejar que tenha TUDO o que merecemos nós mesmos.

Hoje é o dia em que me sinto particularmente envergonhada, por não ser mais, não ter mais e não conseguir que mais mulheres tenham o seu lugar na sociedade. Hoje é o dia em que gostaria de não ser celebrada, porque existe muito pouco ainda por celebrar. Hoje é o dia em que receio, ainda mais, que andemos para trás e passemos a aceitar o inaceitável.

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