Jardineiro da alma!




Eu sei que és tu que cuidas, de mim, como se de um jardim se tratasse. Eu sei que me alimentas, e mimas delicado, mas tão determinado que me limito a florescer, conquistando todas as cores que nos mudam os dias e ampliam o desejo de ficarmos, como estamos, juntos, nesta vida e nas que se seguirão. Eu sei, porque passei a senti-lo tão forte, que negá-lo seria negar-me que tu és quem reconheci e que por ti iria até ao inferno, regressando, mesmo que tentassem impedir-me. Eu sei, soube sempre que apenas alguém como tu se encaixaria, inteiro, em alguém como eu.

Dizes que esperas, ansioso, pelo mês, o meu, o de Maio, em que ficarei mais próxima de ti na idade, porque não queres que nada do teu jardim pare de florescer, e porque mais juntos seremos mais capazes de manter o percurso, este que foi da nossa escolha. Dizes que sou a tua menina-mulher e que pareço permanecer como as plantas que cuidas, sem esmorecer, uma única vez, até porque contigo não seria possível. Dizes que esperaste, por mim, metade da tua existência, e que apenas lamentas não ter corrido, mais veloz, subtraindo o tempo que já não seremos capazes de recuperar.

Preciso de tão pouco desde que te tenho. Sou, tão mais, mulher, de cada vez que te olho. Passei a entender, com tanta clareza, do que falamos, assim que a tua pele roçou a minha. Sou, afinal, tão capaz de me deixar ir, cuidar e amar, que ser quem sou passou a ampliar o que sinto, por ti.


Tu és de quem preciso, ao acordar quando me começo a abrir para o mundo, e ao deitar quando o mundo volta a ser, apenas tu. Tu és quem escolhi e quem faz de mim a mulher que afinal até conseguiste ver. Tu és da cor que as minhas cores reflectem. Tu és quem me mantém muito para além do mês de Maio.