Para onde vão os corações?



Para onde vão os corações que perdem os únicos corações de que precisam?


Ninguém sabe, e ninguém explica, de que forma começamos a sentir pulsar o único órgão com poder para mudar tudo o resto, aqui e em qualquer outro planeta ou forma de vida. Ninguém sabe porque nos escolhemos e como conseguimos manter, para além das lutas, do desespero e até das quedas, a pessoa que nos completa os dias, mesmo quando os deixa vazios, a parecer que nada importa ou faz sentido se não estiver.

Não sei para onde vão os corações que permanecem sozinhos, os que nunca encontram a sua metade, se é que a metade existe mesmo. Não sei porque esperamos tanto, ou desistimos de esperar, se o que acabamos a sentir nos deixa incapazes de explicar o que todos, em qualquer momento dos seus momentos, deveriam ser capazes de sentir. Não sei porque és tu, porque me sentiste a mim e porque ambos, no nosso percurso, precisamos que seja assim e não com outra pessoa qualquer. Não sei explicar porque me deixas a querer-te como apenas eu pareço conseguir. E não sei, não ainda, como iremos prosseguir num caminho que mais ninguém parece entender, mas que para nós faz tanto sentido como fará sermos nós e andarmos por aqui.

Para onde te sentes e imaginas a ir, quando do teu lado está quem muda tudo e te permite sonhar para além dos sonhos que aprisionas para que ninguém os possa roubar? Para onde, e até onde estás disposta a ir, se o que tens agora ainda não te bastar? Para onde foste, quando já parecias saber do que afinal apenas agora chegou? Para onde olhavas quando ainda não vias nada?

O meu coração tem um lugar, um destinatário e uma razão para bater. É para ele e por ele que pretendo continuar, porque apenas faço sentido enquanto tiver em mim e comigo, quem me faz sentir assim.