A cada toque!

Feelme/A cada toque!


Eu vou sabendo, cada dia mais, que a tua mão está determinada, na minha. Eu vou sabendo, até quando os outros falam mais alto, por cima do que pensamos e quando nos olhamos, sem que mais nada pareça importar, que apenas nós importamos. Eu vou sabendo que serás capaz de me apanhar se eu cair, bastando que apertes, determinado, o corpo que aprendi a abandonar, para ti, oferecendo-te o que me pertence, mesmo.

A cada toque, até quando parecíamos já não ter nada para ser tocado, nada novo, nem nada diferente, eu sinto-te. És feito do que esperava e foi assim que te reconheci, quando me tocaste, mesmo. A cada toque, quando acordo e já me olhas, de sorriso seguro, porque foi comigo que adormeceste e porque a forma como te toquei, te devolveu o que já me dás, dia após dia, sempre que gastamos o que é nosso, estando um no outro, durante todo o tempo que o nosso tempo permite. A cada toque acredito mais na loucura inicial, aquela em que NADA parecia poder dar certo, pela diferença, pela distância, pelas músicas loucas, tuas, e serenas minhas.

As noites de Agosto são cada vez mais longas, e usamo-las para que o calor que nos assola nos mantenha, sedentos e colados um no outro. Vou descobrindo cada novo franzir de sobrolho, os toques e tiques que me legendam as histórias e os sorrisos, naturais, que chegam para concordar com o que partilho.

A cada toque, vou percebendo que terás que estar no meu futuro, até porque começaste num passado que recordamos, sem inibições, no presente que nos pertence. A cada toque, sei eu e sentes tu, que és o homem que permanecerá, comigo e no que imagino venha a ser o nosso “para sempre”.