27.8.16

Matar a lembrança!

What passion and sensuality ♥:
Feelme/Matar a lembrança!


Morrer de cada vez que o fazemos, mas matando, de forma tão rápida quanto possível, o que nos lembra, cada sorriso, cada palavra, os inúmeros desejos e sonhos quebrados, é o certo e é o necessário. Matar, até os pensamentos, se ao menos eles se deixassem morrer, mas recusam-se, estóicos, armados em cavaleiros montados em cavalos brancos, altivos e prontos para qualquer batalha.

O depois, o momento em que se ouve ou diz um não, inicia o processo, longo, bem mais demorado do que o sim que se acabou a proferir, sem saber como saiu, de onde veio e o que o motivou. O apagar, riscando com uma borracha emocional, o que não fomos capazes de manter, carrega uma dor que rasga, que culpa, que nos cobra até o novo respirar, porque na verdade passamos a respirar de forma diferente, sozinhos, descompassados e sem outro som que não o nosso.

Matar a lembrança, cada lembrança, mata-nos, inevitávelmente, e leva de volta a esperança que se instalara, o desejo que regressara, vivo e alerta, de sermos desejados, cuidados e amados, incondicionalmente. Matar a lembrança de um amor que chegou, com uma força e vida que nem sabíamos ser capazes de sentir, deixa-nos no primeiro minuto, a nadar sofregamente, para não morrermos com ele.

Não se pede, não se procura, até quando o fazemos, mas o que é nosso, e tudo aquilo que teremos que viver e aprender, vem, na nossa direcção, sem possibilidade de desvios. Não se pede, nenhum amor, mas quando ele nos atinge, muda-nos, rearruma-nos, redirecciona-nos e coloca em perspectiva o que é mesmo importante. Não se pede amores que podem matar, como um raio, mas eles chegam assim mesmo e provam-nos que não controlamos nada, nem o início nem o fim.

Não quero matar a lembrança, não quero deixar de pensar e de sentir, mas preciso de me manter viva e de continuar. Não quero matar a lembrança, porque isso seria matar-te, mas ou morres tu, e eu sofro na mesma, ou morro eu e acabo, mesmo morta!

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