7.8.16

O tempo no meu tempo!

How to Become a Confident Writer:
Feelme/O tempo no meu tempo!


Tenho que manter o meu tempo, aquele em que sou apenas eu a fazer o que apenas eu sei fazer. Tenho que moldar o meu tempo, para que até as mudanças me mantenham real, não permitindo que me mude demasiado, para que o tempo continue a correr, a meu favor.

O tempo no meu tempo é muito próprio, é o tempo de quem foge para um universo paralelo do qual muito poucos fazem parte. É no meu tempo, aquele que uso para me libertar das palavras que a serem aprisionadas me consomem, que me redescubro e passo a ser de um formato que nem sempre me é familiar. Sou de uma característica que já me assustou, pela impossibilidade de encontrar correspondência com quantos privam comigo. Sou tão estranha quanto consigo estranhar o que construo, mas completamente familiar, para mim, porque me dou nas palavras, embrulho-me nos desejos e satisfaço-me com o que crio. Sou tudo o que vem bem de dentro de mim, sabendo, quando saio do meu tempo, que se torna difícil para os que me são próximos, entenderem-me.

O tempo no meu tempo é sempre solitário, mesmo que carregue as palavras de outros, os seus próprios sonhos e desalentos. Não tenho forma de me partilhar enquanto construo mundos de fantasia, mas tão reais que chegam a muitas almas, as que acabam a padecer dos mesmos amores e desamores. O tempo no meu tempo é aproveitado ao segundo, porque tenho de me dar, a uma velocidade que me transcende e que me força a "despejar" o que me consome.

Ser a mulher das palavras, faz-me ter demasiadas, usando-as sem interrupção quando alguns prefeririam, talvez, silêncios. Ser esta mulher, a que não se distancia, demasiado do que constrói, deixa que o tempo continue a ser o mesmo, no meu tempo.

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