Assim é difícil...

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Assim é difícil, falar de amor, senti-lo e incluí-lo em todas as horas do dia, quando tanto temos muito para cuidar e fazer. Falar de amor, ou apenas deixá-lo fluir, resolvendo o que for chegando, atempadamente, como fazemos com tudo o resto, quando ele apenas navega por entre os momentos que nos sobram e quando TANTO mais há para fazer acontecer, é difícil.

O amor tem lugar na minha vida, quero-o e preciso de saber que existe, para que a minha existência seja mais sólida e valha a pena. Mas o amor, ou chega e se instala, cuidando de todos os momentos e encontrando o seu lugar, ou então terei que o deixar ir, com muita pena minha, porque do meu lado existe o que não posso deixar em stand by. Do meu lado, estão os que não podem esperar pelo meu estado de ânimo, pelas quebras que o desamor me provoca e pelas dúvidas que a minha existência não carrega. Do meu lado, não pode haver intervalos, esperas longas nem perguntas sem resposta.

É difícil saber que não tenho tempo para fazer lutos, que o que não ficou deve sair e ser enterrado, rápidamente, antes que eu arrisque morrer também. É difícil saber que não tenho mais tempo, que o meu está todo canalizado para o que sei produzir, para as energias que apenas eu passo a todos quantos cuido. Tenho razões práticas, movimentos que deixariam de se mover se eu apenas me deitasse e morresse, porque nem morrer posso.

Quando a minha história for contada e sê-lo-á diáriamente, irão saber que ou me amam e aí eu terei que arranjar tempo para amar de volta, ou não me amam e eu continuo a fazer o que faço melhor. Quando quem falhou amar-me perceber que não arranjo forma, mesmo que queira, de me sentar e sentir pena de mim, certamente que me deixará ir mais rápidamente. Se me vissem mover, a cada segundo de todas as horas que fazem os meus dias, saberiam, que não me restam momentos mortos e que até a dormir preciso de me encontrar e regenerar para acordar inteira.

O tal do amor, e quem com ele vem, ou sabe quem sou e o que faço acontecer, ou desiste de mim e vai-se embora, espero eu que a uma velocidade sofrível, aquela que não tenho para mim. Já deixei de sofrer por falta de tempo,  o almoço e o jantar não esperam e as compras também não. Não queria falar da roupa, dos duches, do trabalho, o meu, para além de todo o trabalho. Não queria ter que mencionar as idas ao médico, a organização da gata e o chorar do pássaro que resolveu fugir. Não queria, nem deveria ter que mencionar que também durmo, como e faço de mim e comigo o que me obriga a levantar, dia após dia, para ser a que nunca cai, nem mesmo quando sofre por amor.

Assim é difícil sofrer, é que não tenho tempo...