Como serás no meu futuro?

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É assim que te sonho de todas as vezes que o faço, sem que tenha qualquer controlo, como nunca tive quando passei a querer-te assim, como apenas eu pareço entender!

Vinhas a andar, na mesma rua onde te encontrei a primeira vez, de olhar distraído, mas de porte seguro, com um sorriso misterioso nos lábios que já beijei, tantas vezes, e senti o meu corpo estremecer!

Acho que ensaiei, ou tentei, umas quantas frases de conveniência, mas não me saía nada coerente, e certamente que perceberias o quanto ainda mexes comigo, por isso desisti, e fiquei imóvel, quase encolhida no carro, com receio que me visses, mas ansiosa para que chegasses até mim, e pudesse, uma vez mais, ouvir a tua voz, sentir o teu beijo a pousar na minha face, inalando o teu cheiro e armazenando-o nem sei por quanto tempo mais.

Alguém te aborda, e absorvo cada gesto teu, a forma como gesticulas com as mãos que já me abraçaram, que me apertavam forte e me faziam gemer de uma dor envolta em tanto prazer, que a minha corrente se espalhava para cada pedaço de um corpo que já foi teu, que se misturava tão bem em ti, e que precisa, ainda hoje, que o voltes a tocar. Era isso que te iria pedir, se fosse suficientemente corajosa, se parasse de me importar com o que pensarias, se ao menos me deixasse ir e arriscasse ter-te, uma vez mais.

Aceitas a boleia que te oferecem e entras no carro que te leva para bem longe de mim. Fico a olhar o vazio, acho que nem pestanejo. Tive vontade de vos seguir, de viver o reencontro como o venho sonhando, mas fiquei sem reacção. Encosto-me, pesada, no banco, sinto os olhos molhados, e a face quente com a torrente de lágrimas que escorrem de bem dentro de mim. Está a ser um pouco mais do que imaginei, está a ser duro perceber que ainda continuas tão vivo, e que não me serás indiferente, não por ainda muito tempo. Não te ultrapassei, ainda te amo, da mesma forma, e continuo a querer que me queiras, um pedaço que seja.

O sonho vai terminando por aqui e eu acordo da mesma forma, desgastada e contigo em todas as células. No sonho és bem mais real do que foste na minha realidade, porque é lá que te encontro, todas as noites. É lá que recordo as tuas formas e a forma como olhavas para mim. Não sei como será nos meu futuro, mas antevejo algo muito parecido e fico à espera que o sono se sobreponha ao sonho que se recusa a deixar-me, da mesma forma que recuso eu ficar sem ti.