Orgulhosamente só!

Sara Noite:
Feelme/Orgulhosamente só! Tema: Sentimentos!
Imagem retirada da internet
Quem é que afinal fica nos meus momentos, segurando as minhas mãos que sempre parecem firmes, que cuidam, acariciam, limpam e carregam todo o peso da vida?

Estou aqui, quieta, a ouvir a música da Celine Dion "Because you loved me" e a pensar que bom que seria ter quem se importasse, verdadeiramente, quem me permitisse parar de ser forte, quem me deixasse repousar, corpo e mente, e fizesse acontecer, por mim, vendo o que sempre vi eu e que vendo soubesse para onde quero e preciso de ir.

Quem é que me conhece para além do que mostro, sem me apelidar de dura e de demasiado determinada?

Na verdade não há ninguém, porque ninguém viveu ao meu lado, o tempo suficiente para acompanhar o meu crescimento, e ao contrário da canção, nunca ninguém foi a minha força quando fraquejei. Ninguém viu por mim quando ceguei, mostrando-me por onde ir, e falando quando me silenciei, quando não consegui articular as palavras que me sarariam por dentro. O meu mundo, infelizmente, não é um lugar melhor por causa de alguém por quem tanto esperei, nos dias em que me apeteceu desistir de tudo e deixar-me ir. O meu mundo foi esculpido por mim, e atingi o que parecia inatingível, enchendo-me de toda a força que precisava, porque amo quem um dia poderá dizer que teve tudo, que viu e acreditou porque me tinha por perto, porque eu acreditei sempre e fui a voz que lhes falhava.

Eu, sou a que esteve sempre lá, mas por quem nunca ninguém esteve, na totalidade.
Eu, sou a que usa a verdade, em todos os momentos, sabendo que nem sempre o fizeram comigo, julgando que eu não o sentiria e falhando em manter-me a acreditar.

Não posso dizer que sou tudo "isto", que cheguei até aqui, por alguém, porque me tenham mantido inteira, com um amor seguro e determinado, todos os dias da minha vida. Ninguém conseguiu ver o melhor de mim, ninguém me acordou com a força que mantenho em mim e comigo, todos dias. Ninguém me deu pelo que acreditar, mas eu fi-lo, por mim e foi com as minhas mãos que toquei as estrelas que sempre soube não estarem assim tão distantes.

Afinal eu sou abençoada porque me amei sempre, e porque nunca deixei de me puxar para cima. Sou abençoada por me saber multiplicar para também conseguir que acreditem, os que são amados por mim, que tudo é possível e que nunca deixarei de estar aqui.

Não estou orgulhosamente só, porque a solidão é um lugar escuro e eu gosto de luz. A solidão não tem sons e eu não sei estar calada, sem ouvir as músicas que me restabelecem de dias mais penosos. A solidão é o contrário do que espero, porque estar só é não ter nem dar amor. Não posso estar orgulhosamente só porque amadurecer sem partilhar, sentir sem provocar e olhar sem ser olhada de volta, apenas esvazia tudo o que consegui encher e preencher.

Quem foi que eu produzi afinal para afastar os que pareço ser capaz de amar? Quantos mais caminhos, terei que percorrer para que consiga ser, primeiro, olhada por dentro? Onde estará a metade de mim, a que fiz por merecer? Quanta mais solidão, terei que mastigar para poder deixar de estar só?