17.12.16

Aqui vai a minha carta!

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Não me lembro de ter escrito cartas ao Pai Natal quando era pequena. Nem sequer sei se tive sempre o que pedi, mas certamente que não era tão exigente quanto me tornei. Mas já que estamos na época de boa vontade, seja lá o que isso significar, vou-me armar em crente e escrever a minha!


Querido Pai Natal,

Este ano não te livras de mim. Há muito que achava que não existias, mas ultimamente tenho visto tanta coisa a acontecer para o lado de quem NUNCA nada fez para ser, que só podem estar a recorrer a alguém parecido com o que deverias representar. Se é suposto concretizares sonhos, então penso que já terá chegado a minha hora. Eu sei que nem sempre me porto bem, mas na maioria das vezes sou TÃO certinha que até os pássaros adormecem em pleno voo.

Não vou ser exagerada, nem sequer querer que me tragas a lua. Não vou fazer-te correr muito, mas certamente que terás que puxar de alguns coelhos da cartola, porque o que quero não parece existir por estas bandas. Não vou exigir-te demasiada pressa na concretização do único pedido que me lembro de te ter feito, mas se não te importas acelera as renas, porque começo a temer ter que me mudar para a Lapónia.

Espero que tenhas algumas listas de recurso. Espero que te tenham sobrado homens de alma grande, daqueles que não se deixaram amargar e que continuam a acreditar que para terem deverão dar. Espero, sobretudo de ti que tanto conheces do mundo, que tenhas guardado um que saiba como olhar para cada uma das rugas que a minha sabedoria aumentou, como sendo um sinal de que já não pretendo brincar, fazer experiências ou sequer usar. Espero que não tenhas que pensar muito e que acredites, tal como ainda o vou fazendo, que o melhor fica sempre para o fim. Espero que não aches, também tu, que sou demasiado para ter quem me baste e saiba como ficar. Espero que sintas, através da minha carta, que não é com desespero que te escrevo, mas apenas com a vontade de que pelo menos tu consigas entender o que espero conseguir ainda nesta vida. Espero que me conheças, realmente, para que não tenha que descrever, com demasiado rigor, quem se encaixaria em mim, no que sou e preciso para ser ainda mais. Espero que abras uma excepção porque já há muito deixei de ser menina, mas a mulher também precisa, nos momentos mais frágeis, de quem saiba que ela continua a ser a mesma, apenas num corpo diferente e numa alma engrandecida.

Obrigada desde já pelo teu tempo. Vou ficar à espera de que pelo menos tu me respondas e transformes o meu Natal no primeiro de muitos que terei quando receber quem preciso.

Bom trabalho,
Sue Amado


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