25.12.17

A pequenez de que NÃO sou feita!

Sade


Já há muito que desisti de explicar a sensação que se cola, impiedosa, sempre que tenho razão. Desisti porque a solidão que se instala quando sou desapontada, sabendo que o seria eventualmente, é apenas isso, solitária e demasiado real. Desisti porque sou forçada a aceitar, dia-após-dia, que existem pessoas com uma fragilidade que lhes fragiliza o carácter e a vontade de serem melhores, todos os dias. Desisti porque não posso tomar as dores que não me pertencem, mesmo que me magoe a pequenez, a incapacidade de se olhar para o outro, vendo-nos e à injustiça a que vetamos a nossa alma, porque será ela a vaguear, pelo tempo que a condenarmos...

Há muito, muito tempo, a escuridão quase que me consumiu e tentou roubar a minha tranquilidade, a que coloco em tudo o que faço, porque a sensação de liberdade que conquistei, faz de mim a pessoa que pode, verdadeiramente, ser livre. Há muito que aprendi a reconhecer os que já não têm salvação, mesmo que os seus graus de perdição ainda me surpreendam. Há muito que passei a conseguir perdoar todos os que não quero no meu caminho, seguindo com o que tenho que continuar a fazer. Há muito que tomei nas minhas mãos o dever de manter seguros os que amo, guiando-os para que também eles saibam o que significa saber quem é importante, amando-os e respeitando-os, oferendo-lhes o tempo que receberão de volta. Há muito que aprendi a dizer NÃO quando sentir que o que me oferecem não me melhora.

A pequenez de que NÃO sou feita, impede-me de ser isso mesmo, pequena. Quieta quando deveria estar a esbracejar e revolta sempre que o mar estiver demasiado parado. Agora sou tudo a que tenho direito, porque o que tenho dentro de mim apenas a mim pertence. Agora cumpro as minhas promessas e vou só até onde tenha como voltar, a mim. A pequenez de que NÃO sou feita deixa-me ser grande o bastante para não olhar duas vezes para o mesmo lugar escuro e sem vida!