26.12.17

Chegaste, de mansinho, para mim!

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Chegaste de mansinho, passo a passo, olhando-me com uma firmeza que fez parar os meus movimentos. Vi-te aproximar, tanto e com tantas certezas, que quase me impedi de respirar. A tua boca estava tão próxima, mas mantive os meus olhos para baixo. Conseguia ver a covinha do teu queixo e o arfar que movia o teu peito. Senti que rangias os dentes e que te tentavas controlar e foi o que fizeste até te perderes e me laçares, pela cintura. Já não estou preocupada com os que pararam para perceber o que estava a acontecer, agora só quero ter de volta o que permiti que se fosse. O beijo foi longo, doloroso e desesperado. Apertaste-me tanto que só não gritei porque a minha boca estava na tua. Senti cada um dos meus músculos retesarem-se e a minha excitação quase que me perdi, ali mesmo, onde não éramos apenas nós, não fisicamente, mas onde o mundo parecia ter parado de girar.

- Onde tens andado, mulher que me enlouquece?
- Aqui, onde me deixaste...

Nada em nós e connosco é morno. Tudo o que fazemos carrega duas vontades que juntas, matam quem arriscar estar no nosso caminho e reavivam quem já morreu antes. Nada connosco é em demasia e quase que nos fazemos implodir, se não nos segurarmos, um ao outro.

Chegaste, quando já desesperava com a espera e só conseguiste certificar-me, se é que não o sabia já, que sem ti sou apenas uma amostra de mim. Chegaste para que sinta, outra vez, esse amor que fiz tanto por merecer.

- Estão a olhar para nós.
- Lamento, mas não os quero beijar, não como te vou fazer. O teu castigo agora é sentires o que me forçaste a sentir todo este tempo.

Chegaste, de mansinho, para mim e é apenas isso que preciso de saber, por agora...