7.1.18

Será que ainda te lembras?

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Será que ainda te lembras de onde nos conhecemos, do tempo que demoraste até me convenceres dos teus avanços meio loucos, mas que me faziam rir até da minha teimosia? Sim, era pura teimosia, porque eu sabia, soube sempre, mal me tocaste a primeira vez, assim que me estendeste a mão para me ajudares a entrar na viagem mais louca da minha vida, que serias tu e foste!

- Olha o teu café fumegante, exactamente como gostas.
- Senta-te aqui minha princesa, aninha-te a mim.

Os nossos começos de noite passaram a ter o mesmo ritual, os dois no alpendre da casa, tu à espera que te trouxesse um café em forma de tesouro, porque me empenhava para que que cada um soubesse melhor do que todos os outros, e que chegasse eu para ficarmos debaixo da mesma manta, abraçados, recordando tudo o que nunca teremos forma de esquecer e que fez a história que ainda estamos a escrever.

- Lembras-te de como me ias sempre mimar ao intervalo do almoço?
- Ui, se lembro, eram os nossos momentos de oiro. Os beijos tinham um sabor incrível, eram contados ao segundo e ficava-me sempre a sensação de que sabiam a pouco e de que te deveria raptar, se fosse mais louco, se te amasse mais e até que o teria feito.
- Deixa-te disso, tu sabes que me amas mais do que pareço precisar, mas não te ponhas com ideias agora, está tudo bem assim, eu gosto desse teu gostar e sabes que não teria mudado nada.

Nunca me esqueço de agradecer, um dia que seja a pessoa que entrou assim, na minha vida, para fazer de mim um ser tão especial, porque nós somos da forma que nos vêem, a nossa verdadeira importância está no que conseguimos passar aos outros, tocando-os e fazendo tudo valer a pena. Eu sou a mulher do homem que permanecerá ao meu lado, até que o final de um de nós chegue e nos solte, mas por muito pouco tempo, um do outro, porque os amores assim não são quebrados, apenas mudam de dimensão, rasgam novos tempos e continuam para lá das histórias que ainda não sabemos contar. Eu sou a mulher cuja felicidade deixou de ser apenas um desejo e conseguiu, ainda nesta vida, unir-se ao homem que me acompanhará para sempre, em todas as outras. Disso não tenho qualquer dúvida.

Será que ainda te lembras de como te dizia saber que te iria amar por mil anos?
- Lembro-me meu amor e de responder, como faço agora, que te iria amar por outros mil, por todos quantos conseguirmos continuar a reconhecer-nos.