Sentir em câmara lenta!

"You get in life what you have the courage to ask for." — Oprah Winfrey


Por que razão sinto os embates em câmara lenta?

Juro-vos que por vezes nem eu mesma me consigo classificar. Sou tão estranhamente estranha e ao mesmo tempo tão natural, pelo menos aparento, que já desisti de entender o que sinto quando, aparentemente, não estou a sentir nada. Pode estar a desabar o mundo, mas se não for a personagem principal ou o cerne da acção, remeto as considerações para mais tarde e torno-me automática, quase desprovida de emoções. Será uma defesa? Muito provavelmente, mas é sobretudo uma forma de sobreviver, protegendo o coração, afinal de contas ainda me faz imensa falta e quero-o em bom estado.

First things first!

Comigo funciona assim, primeiro resolvo, cuido e faço acontecer. Depois, mais tarde, regra geral sozinha, analiso e permito-me sentir. Não raras vezes dou comigo numa experiência fora de corpo, atrasando o que a acontecer mais cedo, certamente me derrotaria. Funciona e confere-me uma carapaça que vai engrossando com o passar do tempo.

Para o que serviria se me deixasse stressar, ou entrasse em pânico? Quem poderia depender de mim, ou confiar que tenho forma de solucionar o que nos surge, se tivesse medos infundados? Onde ou de que forma me restauraria se me deixasse partir?

Estão a perceber agora por que razão sinto os embates em câmara lenta? É que não há outra forma de continuar em pé!