A forma e o formato das relações!



Andamos, já há algum tempo, a deturpar o conceito de relação afectiva, porque vejo tanta gente infeliz, de mal com as suas próprias escolhas e a não terem o que sempre deram, mas mantendo-se de pedra e cal onde estão, que só podem ter recebido directivas erradas!

Amar e ser amado não é simples, nem basta para isso que se use o coração. Há que saber e querer cuidar do outro da mesma forma que queremos que nos queiram e cuidem. Temos que dar, generosamente, tempo, amizade, respeito, mimos, palavras sábias e tolas, beijos desenfreados e suaves. Temos que nos mostrar sem medo de nos fragilizarmos, porque quem partilha a nossa vida em pleno, tem que saber do que somos feitos.

O que foi que te ensinaram quando já eras suficientemente crescidinha para quereres a tua metade?


Será que te mostraram que deves amar-te primeiro, tendo um enorme respeito pelo teu corpo e mente e depois então amar quem te tivesse tocado de alguma forma? Será que te mostraram, de alguma forma e em algum momento, que és um ser muito importante e que para além das fragilidades, também tens forças que nunca deves negar? Será que te ensinaram que se não gostares de ti ninguém gostará o bastante, e que se estiveres errada na avaliação do outro, deverás desistir e não persistir, amargando-te e cortando pedaços que poderás até não saber reconstruir?


A forma e o formato das relações andam, claramente, de candeias às avessas com o bom senso e a realidade que pretendemos para nós e para os nossos. Amar não pode ser o que se nos apresenta agora e se o que estamos a precisar é de formações e workshops, então que venham elas, porque ou aprendemos como se faz, e bem feito, ou arriscamos regredir para lá da idade do gelo e o frio não se coaduna com as altas temperaturas que um amor certo nos provoca.